* Atenção, essa resenha critica contém spoiler!
Depois de vários episódios em que
House of The Dragon parecia avançar em um ritmo lento demais, quase
parando, o penúltimo episódio chega para lembrar que, cedo ou tarde, em
Westeros, as intrigas precisam se transformar em acontecimentos. E quando os
dragões voltam a ocupar o centro do "palco", a série demonstra mais uma vez porque,
visualmente, é imbatível e muito acima da média. Confesso que eu estava
desanimado e particularmente frustrados pelos rumos que os roteiristas tomaram
nos últimos 4 episódios, o que tornou a série bastante lenta e devagar. Tanto é
que essa resenha está uma semana atrasada!
Nos últimos episódios, a HBO
apostou fortemente nas conversas políticas, nas tensões familiares e nas
intrigas do reino. Esse tipo de construção é necessário em uma história como
esta, já que as grandes batalhas geralmente só funcionam quando a narrativa
constrói, aos poucos, as condições para que elas aconteçam, por meio de
subtramas e diálogos expositivos que evidenciam as alianças, rivalidades e
traições da trama. O problema é que a terceira temporada levou essa paciência
longe demais. Cenários, conflitos e conversas foram repetidos tantas vezes que
muitos personagens não avançaram quase nada na série.
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| Imagem: HBO |
Por isso, o sétimo episódio
representa uma pequena mudança de direção. A ação volta a ter um peso
considerável e várias histórias que estavam, até então adormecidas, começaram a
aparecer. A política não é abandonada, pelo contrário, o episódio demonstra que
as decisões tomadas nos bastidores começam a produzir consequências cada vez
mais visíveis.
E é aí que surge um dos grandes
temas de House of the Dragon, que é retratar a família como um grande e
implacável campo de batalha. As lealdades continuam frágeis e os laços de
sangue, em vez de garantirem confiança, muitas vezes se transformam em uma
ameaça. A guerra não é travada apenas entre exércitos, ela também acontece
dentro das próprias famílias.
Se há algo que funciona
especialmente bem neste episódio é a presença dos dragões. Ainda bem que eles
voltaram com tudo! A série vinha preparando esse momento há algum tempo e,
finalmente, o espetáculo visual volta a ter um peso real dentro da narrativa. As
interações entre essas criaturas não funcionam apenas como uma demonstração do
excelente trabalho de efeitos visuais liderado pelo time de Daði Einarsson, mas
também como um excelente recurso narrativo que enriquece a trama. Eles continuam profundamente
ligados aos seus “montadores”, evidenciando às relações de poder e à identidade
das famílias que os controlam. Por isso, algumas das cenas mais impactantes do
episódio extrapola para uma dimensão emocional fantástica.
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| Imagem: HBO |
O principal problema, entretanto,
não desaparece. Continua sendo o ritmo! A série insiste em priorizar tramas que
parecem existir mais para ganhar tempo do que para realmente fazer a história
avançar. Harrenhal é provavelmente o exemplo mais evidente (e cara, como eu
odeio esse núcleo). A permanência de Aemond no castelo até tem uns elementos razoavelmente
interessantes, mas começa a ser frustrante a lentidão com que essa história se
desenvolve. Visões, conversas e situações que lembram demais o que já vimos
anteriormente, criam a sensação de que estamos diante de uma trama esperando o
momento adequado para se conectar ao restante da história.
Algo parecido acontece também no núcleo de Porto Real. Rhaenyra está em uma posição cada vez mais complicada, mas seu conflito político nem sempre recebe o desenvolvimento que merece. Além disso, a personagem continua dependendo demais daqueles que estão ao seu redor. Daemon, Mysaria e agora também Helaena, exercem influência considerável sobre suas decisões, enquanto a rainha parece dedicar boa parte de seus esforços a buscar respostas nas visões dos outros. Isso chama ainda mais atenção porque, apesar da legitimidade de sua reivindicação, ainda é difícil enxergá-la como uma governante capaz de impor sua própria vontade.
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| Imagem: HBO |
Em meio a esse cenário, a história de Helaena em Porto Real começa a ganhar força. Desde a cena, do segundo episódio, em que ela fala do seu sonho de criar galinhas, eu adquiri um apreço genuíno por ela e fico satisfeito de ver o destaque e a importância que ela tem ganhado na temporada. O plot da Helaena confere algo diferente do habitual confronto pelo poder. Suas visões, sua maneira particular de perceber os acontecimento e de enxergar o mundo, despertaram em mim uma curiosidade que outras histórias da temporada não conseguiram .O que exatamente são suas visões? Até onde pode chegar sua influência? Ela deixará de ser essa personagem aparentemente inocente? E o que acontecerá com seus filhos? São perguntas que, por enquanto, funcionam justamente porque a série não oferece todas as respostas.
Também é um ponto super positivo perceber que
Rhaenyra e Daemon finalmente começam a sair do limbo narrativo em que pareciam
estar presos. A relação entre os dois continua sendo uma das mais complexas e
interessantes da série, mas durante boa parte da temporada ambos pareciam
avançar sem saber exatamente qual era sua posição dentro da guerra e do próprio
reinado. O episódio começa a definir melhor suas intenções e, embora ainda
exista um longo caminho pela frente, finalmente se percebe uma direção mais
clara.
E aqui está a grande contradição
deste sétimo episódio: provavelmente é um dos capítulos que melhor conseguem
recuperar o dinamismo da temporada, mas também deixa ainda mais evidente o
problema dos episódios anteriores.
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| Imagem: HBO |
Ainda assim, o episódio recupera
algo fundamental: a sensação de que tudo está prestes a explodir. O grande
mérito desse sétimo episódio, portanto, não está apenas em suas cenas
espetaculares, mas em conseguir fazer com que a expectativa volte a existir.
Depois de uma temporada lenta e irregular, HOTD volta a transmitir a
sensação de que algo importante está prestes a acontecer.
Nota: 8.4/10.0
Por: Felipe Tavares




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