* Atenção, essa resenha critica contém spoiler!
Já chegamos em mais da metade da terceira
temporada de House of the Dragon e a sensação é inevitável: a série
voltou a cometer o mesmo erro que comprometeu parte da temporada anterior.
Depois de um início excelente, marcado por episódios intensos, decisões
importantes e conflitos que pareciam finalmente impulsionar a Dança dos
Dragões, a narrativa perde fôlego justamente no momento em que deveria
acelerar.
O quinto episódio reforça a
impressão de que a HBO voltou a apostar em uma estratégia de prolongar
acontecimentos em vez de desenvolvê-los. Boa parte do tempo é consumida por
longas conversas em salas fechadas, deslocamentos lentos e subtramas que parecem
girar em círculos, enquanto as grandes batalhas prometidas continuam sendo
adiadas.
O maior exemplo disso continua
sendo Harrenhal. Depois de dedicar vários episódios à jornada de Daemon naquele
cenário, a série repete praticamente a mesma estrutura agora com Aemond. O
personagem permanece preso entre visões, pesadelos e os jogos psicológicos de
Alys Rivers, afastado da guerra justamente quando deveria exercer papel
decisivo no conflito. A sensação é de repetição, não de evolução.
Essa estagnação também afeta
outros protagonistas. Aegon II continua vagando por Westeros ao lado de Larys
Strong, ainda em busca de um propósito, enquanto Daemon passa boa parte do
episódio discutindo problemas administrativos em Porto Real. Em vez de acompanhar
personagens tomando decisões capazes de mudar os rumos da guerra, acompanhamos
protagonistas reagindo aos acontecimentos quase sempre de forma passiva.
Nem mesmo Rhaenyra escapa desse
problema. A série continua explorando as dificuldades enfrentadas por uma
mulher no Trono de Ferro, tema coerente com o universo de Westeros, mas que
volta a ser tratado de maneira repetitiva. A rainha passa grande parte do
episódio tentando administrar crises internas, enfrentando resistência política
e percebendo que seu governo desperta cada vez mais desconfiança. O conflito
permanece interessante, mas sua evolução me parece insatisfatória.
Outro aspecto que contribui para
a sensação de lentidão é a fragmentação da narrativa. Diversas histórias
importantes recebem poucos minutos de tela antes de desaparecerem novamente.
Personagens relevantes entram e saem do episódio sem que suas trajetórias
avancem de forma significativa, enquanto alguns acontecimentos parecem existir
apenas para preparar episódios futuros.
Isso não significa que o episódio
seja completamente desprovido de qualidades. Algumas conversas funcionam muito
bem, especialmente os confrontos verbais envolvendo Larys Strong e Aegon II,
além do discurso final de Criston Cole, que praticamente antecipa o destino do
personagem. São momentos em que o roteiro recupera a força dramática que marcou
o início da temporada.
Ainda assim, falta tensão
narrativa. Os dragões, principal símbolo da série, aparecem pouco, os conflitos
militares permanecem fora de cena e boa parte da temporada parece ocupada em
reposicionar peças no tabuleiro em vez de iniciar a partida.
A frustração aumenta porque os
primeiros episódios demonstraram que House of the Dragon era
perfeitamente capaz de equilibrar desenvolvimento político, ação e evolução dos
personagens. Desde então, porém, a impressão é de que a história anda para
trás. Subtramas importantes ficam esquecidas, protagonistas permanecem
estagnados e a narrativa parece constantemente adiar os confrontos que o
próprio roteiro promete.
Ainda há tempo para recuperar o
ritmo. O episódio termina posicionando diferentes forças para os confrontos que
se aproximam, e tudo indica que as próximas semanas finalmente entregarão as
batalhas aguardadas desde o início da temporada. Mas a margem para novos
atrasos ficou pequena. Neste ponto da história, House of the Dragon já
não pode depender apenas da promessa de que "o melhor ainda está por
vir". O melhor precisa começar a acontecer agora mesmo!
Nota: 7.2/10.0
Por: Felipe Tavares




Nenhum comentário:
Postar um comentário