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segunda-feira, 20 de julho de 2026

Crítica | House of the Dragon – 3X05: Unbowed and Unbent

  * Atenção, essa resenha critica contém spoiler!

Já chegamos em mais da metade da terceira temporada de House of the Dragon e a sensação é inevitável: a série voltou a cometer o mesmo erro que comprometeu parte da temporada anterior. Depois de um início excelente, marcado por episódios intensos, decisões importantes e conflitos que pareciam finalmente impulsionar a Dança dos Dragões, a narrativa perde fôlego justamente no momento em que deveria acelerar.

O quinto episódio reforça a impressão de que a HBO voltou a apostar em uma estratégia de prolongar acontecimentos em vez de desenvolvê-los. Boa parte do tempo é consumida por longas conversas em salas fechadas, deslocamentos lentos e subtramas que parecem girar em círculos, enquanto as grandes batalhas prometidas continuam sendo adiadas.

O maior exemplo disso continua sendo Harrenhal. Depois de dedicar vários episódios à jornada de Daemon naquele cenário, a série repete praticamente a mesma estrutura agora com Aemond. O personagem permanece preso entre visões, pesadelos e os jogos psicológicos de Alys Rivers, afastado da guerra justamente quando deveria exercer papel decisivo no conflito. A sensação é de repetição, não de evolução.

Essa estagnação também afeta outros protagonistas. Aegon II continua vagando por Westeros ao lado de Larys Strong, ainda em busca de um propósito, enquanto Daemon passa boa parte do episódio discutindo problemas administrativos em Porto Real. Em vez de acompanhar personagens tomando decisões capazes de mudar os rumos da guerra, acompanhamos protagonistas reagindo aos acontecimentos quase sempre de forma passiva.

Nem mesmo Rhaenyra escapa desse problema. A série continua explorando as dificuldades enfrentadas por uma mulher no Trono de Ferro, tema coerente com o universo de Westeros, mas que volta a ser tratado de maneira repetitiva. A rainha passa grande parte do episódio tentando administrar crises internas, enfrentando resistência política e percebendo que seu governo desperta cada vez mais desconfiança. O conflito permanece interessante, mas sua evolução me parece insatisfatória.

Outro aspecto que contribui para a sensação de lentidão é a fragmentação da narrativa. Diversas histórias importantes recebem poucos minutos de tela antes de desaparecerem novamente. Personagens relevantes entram e saem do episódio sem que suas trajetórias avancem de forma significativa, enquanto alguns acontecimentos parecem existir apenas para preparar episódios futuros.

Isso não significa que o episódio seja completamente desprovido de qualidades. Algumas conversas funcionam muito bem, especialmente os confrontos verbais envolvendo Larys Strong e Aegon II, além do discurso final de Criston Cole, que praticamente antecipa o destino do personagem. São momentos em que o roteiro recupera a força dramática que marcou o início da temporada.

Ainda assim, falta tensão narrativa. Os dragões, principal símbolo da série, aparecem pouco, os conflitos militares permanecem fora de cena e boa parte da temporada parece ocupada em reposicionar peças no tabuleiro em vez de iniciar a partida.

A frustração aumenta porque os primeiros episódios demonstraram que House of the Dragon era perfeitamente capaz de equilibrar desenvolvimento político, ação e evolução dos personagens. Desde então, porém, a impressão é de que a história anda para trás. Subtramas importantes ficam esquecidas, protagonistas permanecem estagnados e a narrativa parece constantemente adiar os confrontos que o próprio roteiro promete.

Ainda há tempo para recuperar o ritmo. O episódio termina posicionando diferentes forças para os confrontos que se aproximam, e tudo indica que as próximas semanas finalmente entregarão as batalhas aguardadas desde o início da temporada. Mas a margem para novos atrasos ficou pequena. Neste ponto da história, House of the Dragon já não pode depender apenas da promessa de que "o melhor ainda está por vir". O melhor precisa começar a acontecer agora mesmo!

Nota: 7.2/10.0

Por: Felipe Tavares

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