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segunda-feira, 22 de junho de 2026

Crítica | House of the Dragon (3x01) recupera sua força em uma estreia grandiosa e emocionante

* Atenção, essa resenha critica contém spoiler!

Imagens da "Batalha da Goela" - HBO

Depois de uma segunda temporada que dividiu opiniões por seu ritmo mais lento e pela constante sensação de que algo grandioso estava prestes a acontecer e que nunca se concretizava, “House of the Dragon” retorna em sua terceira temporada mostrando que a espera finalmente valeu a pena. E como valeu...

O primeiro episódio já começa com os dois pés na porta, ao representar a aguardada “Batalha da Goela”, dito por alguns estudiosos da “nerdolância” como um dos eventos mais importantes e devastadores da Dança dos Dragões, e o maior confronto naval da história de Westeros. A sequência é impressionante não apenas pela escala, mas pela forma como combina espetáculo visual e emoção. A frota de Corlys Velaryon (Steve Toussaint) enfrenta a Triarquia em um confronto marítimo que entrega tudo aquilo que muitos espectadores sentiram falta na temporada anterior: urgência, consequências e sensação real de perigo. É como se showrunner e sua equipe estivessem dizendo ao público que agora não há mais tempo para preparação. A guerra chegou, e chegou com força.

Também destaco o quão satisfatório foi assistir a morte de Sharako Lohar (Abigail Thorn), facilmente uma das personagens mais insuportáveis da série. Em contrapartida, no mesmo episódio, damos adeus a Jace (Harry Collett), o filho mais velho de Rhaenyra. Apesar dele ter um arco em age de forma intempestiva, leviana e até “mimada”, foi trágico acompanhar não só sua partida, como também a do seu dragão Vermax. Essa morte promete afetar profundamente a protagonista da série e os rumos da guerra. 

Outro destaque, esse foi negativo porque quase me fez ter um treco, foi a sucessão de trapalhadas que a Rhaena Targaryen, montada no Roubovelha (Sheepstealer), causou durante a batalha. Se não vai ajudar, também não atrapalha, né?

Jacaerys Velaryon - HBO

Já na questão técnica, HOTD alcança aqui seu ponto mais alto. A direção de fotografia, sob o comando de P.J. Dillon, é um trabalho lindíssimo, os efeitos visuais impressionam na maior parte do tempo e a edição de som também merece um destaque especial. Cada grito, cada explosão de fogo e cada morte carregam um peso que amplia a brutalidade do conflito. Os dragões continuam sendo um espetáculo à parte, mas o que realmente chama atenção é a forma como a direção consegue alternar entre a grandiosidade das batalhas e os momentos mais íntimos dos personagens. E é justamente nesses momentos que a série encontra sua maior força.

Se existe algo que HOTD faz melhor do que qualquer outra produção atual de fantasia, é explorar relações humanas corroídas pelo poder. Além disso, desde a primeira temporada, o verdadeiro coração da história sempre foi a relação entre Rhaenyra Targaryen (Emma D'Arcy) e Alicent Hightower (Olivia Cooke). E já no primeiro episódio, a série dá sinais de que essa relação caminha para ocupar novamente um papel central na narrativa da terceira temporada. Ainda assim, convém manter a cautela, já que a série carrega um histórico frustrante de criar expectativas que acabam não se concretizando.

Alicent Hightower e Rhaenyra Targaryen  - HBO

Por fim, o que fica após o primeiro episódio, é a sensação de que HOTD encontrou um ponto de equilíbrio que até então parecia ter se perdido. A série continua sendo um espetáculo visual gigantesco, mas agora conseguiu combinar em cerca de 60 minutos de exibição, uma batalha épica com personagens mais interessantes, conflitos mais humanos e diálogos carregados de peso dramático.

Talvez eles nunca alcancem o mesmo impacto cultural de “Game of Thrones”, mas, pela primeira vez desde a estreia, “House of the Dragon” parece tão grandiosa quanto sua antecessora. Eu assisti ao episódio com o meu namorado em pleno domingo à noite, e o que vimos em tela foi avassalador, de tirar o fôlego (e o sono!). Quase um gatilho pré-segunda-feira para dois ansiosos como nós! E se a temporada mantiver o nível apresentado nesse 3x01, estaremos diante não apenas da melhor fase da série até agora, mas também de uma das melhores produções televisivas do ano. E o mais interessante? É a sensação de que o melhor ainda está por vir...

Nota: 9,2 / 10,0

Por: Felipe Tavares

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