* Atenção, essa resenha critica contém spoiler!
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| Imagens da "Batalha da Goela" - HBO |
Depois de uma segunda temporada
que dividiu opiniões por seu ritmo mais lento e pela constante sensação de que
algo grandioso estava prestes a acontecer e que nunca se concretizava, “House
of the Dragon” retorna em sua terceira temporada mostrando que a espera
finalmente valeu a pena. E como valeu...
O primeiro episódio já começa com
os dois pés na porta, ao representar a aguardada “Batalha da Goela”, dito por
alguns estudiosos da “nerdolância” como um dos eventos mais importantes e
devastadores da Dança dos Dragões, e o maior confronto naval da história de
Westeros. A sequência é impressionante não apenas pela escala, mas pela forma
como combina espetáculo visual e emoção. A frota de Corlys Velaryon (Steve
Toussaint) enfrenta a Triarquia em um confronto marítimo que entrega tudo
aquilo que muitos espectadores sentiram falta na temporada anterior: urgência,
consequências e sensação real de perigo. É como se showrunner e sua equipe
estivessem dizendo ao público que agora não há mais tempo para preparação. A
guerra chegou, e chegou com força.
Também destaco o quão satisfatório foi assistir a morte de Sharako Lohar (Abigail Thorn), facilmente uma das personagens mais insuportáveis da série. Em contrapartida, no mesmo episódio, damos adeus a Jace (Harry Collett), o filho mais velho de Rhaenyra. Apesar dele ter um arco em age de forma intempestiva, leviana e até “mimada”, foi trágico acompanhar não só sua partida, como também a do seu dragão Vermax. Essa morte promete afetar profundamente a protagonista da série e os rumos da guerra.
Outro destaque, esse foi negativo porque quase me fez ter
um treco, foi a sucessão de trapalhadas que a Rhaena Targaryen, montada no Roubovelha
(Sheepstealer), causou durante a batalha. Se não vai ajudar, também não atrapalha,
né?
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| Jacaerys Velaryon - HBO |
Já na questão técnica, HOTD alcança
aqui seu ponto mais alto. A direção de fotografia, sob o comando de P.J. Dillon, é um trabalho lindíssimo, os efeitos visuais
impressionam na maior parte do tempo e a edição de som também merece um destaque
especial. Cada grito, cada explosão de fogo e cada morte carregam um peso que
amplia a brutalidade do conflito. Os dragões continuam sendo um espetáculo à
parte, mas o que realmente chama atenção é a forma como a direção consegue
alternar entre a grandiosidade das batalhas e os momentos mais íntimos dos
personagens. E é justamente nesses momentos que a série encontra sua maior
força.
Se existe algo que HOTD faz
melhor do que qualquer outra produção atual de fantasia, é explorar relações
humanas corroídas pelo poder. Além disso, desde a primeira temporada, o verdadeiro coração
da história sempre foi a relação entre Rhaenyra Targaryen (Emma D'Arcy) e
Alicent Hightower (Olivia Cooke). E já no primeiro episódio, a série dá sinais
de que essa relação caminha para ocupar novamente um papel central na narrativa
da terceira temporada. Ainda assim, convém manter a cautela, já que a série carrega um histórico frustrante de criar expectativas que acabam não se concretizando.
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| Alicent Hightower e Rhaenyra Targaryen - HBO |
Por fim, o que fica após o
primeiro episódio, é a sensação de que HOTD encontrou um ponto de equilíbrio
que até então parecia ter se perdido. A série continua sendo um espetáculo
visual gigantesco, mas agora conseguiu combinar em cerca de 60 minutos de
exibição, uma batalha épica com personagens mais interessantes, conflitos mais
humanos e diálogos carregados de peso dramático.
Talvez eles nunca alcancem o mesmo impacto cultural de “Game of Thrones”, mas, pela primeira vez desde a estreia, “House of the Dragon” parece tão grandiosa quanto sua antecessora. Eu assisti ao episódio com o meu namorado em pleno domingo à noite, e o que vimos em tela foi avassalador, de tirar o fôlego (e o sono!). Quase um gatilho pré-segunda-feira para dois ansiosos como nós! E se a temporada mantiver o nível apresentado nesse 3x01, estaremos diante não apenas da melhor fase da série até agora, mas também de uma das melhores produções televisivas do ano. E o mais interessante? É a sensação de que o melhor ainda está por vir...
Nota: 9,2 / 10,0
Por: Felipe Tavares



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