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quinta-feira, 13 de agosto de 2026

CRÍTICA | O Convite (2026): um retrato hilário e desconcertante sobre sexo, casamento e o desejo de voltar a se sentir vivo

Quatro personagens, um apartamento e uma proposta sexual que rapidamente transforma uma noite entre vizinhos em uma explosão de fantasias, frustrações e verdades escondidas. O Convite, terceiro longa-metragem dirigido por Olivia Wilde, poderia facilmente se limitar à provocação de uma comédia sobre troca de casais. Mas Wilde, ao lado dos roteiristas Will McCormack e Rashida Jones, encontra algo muito mais interessante: uma reflexão sobre a sexualidade adulta, o desgaste do casamento e a maneira como a rotina pode transformar o desejo em uma lembrança distante.

Baseado na peça espanhola Los vecinos de arriba, de Cesc Gay, o filme leva a história para um apartamento em São Francisco. Angela (Olivia Wilde) e Joe (Seth Rogen) recebem a visita dos novos vizinhos Piña (Penélope Cruz) e Hawk (Edward Norton), um casal que vive sua sexualidade com uma liberdade que fascina e desconcerta os anfitriões. O convite para uma troca de casais funciona como o estopim de uma conversa que vai muito além do sexo.

Porque o verdadeiro problema de Angela e Joe não é a ausência de uma aventura sexual. É a ausência de desejo. O casamento se tornou rotina, o cansaço tomou conta da vida cotidiana e antigos sonhos foram abandonados pelo caminho. Joe chega em casa depois de trabalhar como professor em uma escola de música medíocre, carregando dores nas costas e a sensação de ter deixado para trás aquilo que um dia imaginou para si. Angela, enquanto isso, tenta criar alguma faísca em uma relação que parece ter esquecido como se manter viva. É justamente aí que O Convite triunfa e se distancia de uma comédia sexual convencional.

A sexualidade não aparece como espetáculo ou como simples provocação. Ela funciona como uma lente através da qual Wilde observa a intimidade de pessoas adultas que já passaram dos quarenta, acumulando frustrações, responsabilidades, insônia, dores físicas e sonhos interrompidos. O filme entende que desejar outra pessoa pode ser muito menos importante do que voltar a desejar a própria vida. E inesperadamente há humor nisso, muito humor!

Wilde percebe que as situações são engraçadas não porque seus personagens sejam caricaturas, mas porque são pessoas profundamente humanas tentando manter a compostura enquanto falam sobre coisas que normalmente prefeririam esconder. A vergonha, o ciúme, a curiosidade e o constrangimento tornam-se fontes de comédia justamente porque parecem verdadeiros.

Penélope Cruz e Edward Norton funcionam como agentes de desestabilização desse casamento adormecido. Piña e Hawk representam uma possibilidade de existência que Angela e Joe observam com uma mistura de fascínio e inveja. Eles parecem ter aquilo que os protagonistas perderam: liberdade para falar sobre sexo, disposição para experimentar e, principalmente, a coragem de não fingir que o desejo deixou de existir.

A cena de Cruz ao som de “By Your Side”, da Sade talvez seja o melhor exemplo dessa liberdade. Há algo deliberadamente exagerado na personagem, mas o filme nunca perde de vista o motivo pelo qual ela é tão perturbadora para o casal protagonista: Piña e Hawk não parecem envergonhados por aquilo que desejam. Angela e Joe, sim.

Nesse aspecto, O Convite também representa uma evolução interessante para Olivia Wilde. Depois do problemático e artificial Não Se Preocupe, Querida (2002), a diretora reencontra a vitalidade com que dirigiu seu primeiro longa metragem, o ótimo Fora de Série (2019), mas agora aplicando isso aos personagens adultos, desencantados e emocionalmente mais complexos. Wilde parece confiar mais nos excelentes atores com quem trabalha e nos diálogos afiadíssimos de McCormack e Jones , permitindo que a própria situação produza humor e desconforto em vez de tentar transformar cada momento em espetáculo. E sua atuação como Angela é parte fundamental desse acerto.

Wilde interpreta uma mulher que precisa equilibrar desejo, frustração, humor e vulnerabilidade sem jamais parecer completamente segura de si. Grande parte da força da performance está nos pequenos momentos, naquilo que acontece entre uma fala e outra. Como na “cena do suflê”, ela dura milésimos de segundos, mas Olivia Wilde consegue transformar aquele instante em um dos momentos mais emblemáticos da obra. Sua reação é quase que um acidente cômico e ainda assim, absolutamente preciso. E como bem observou Isabela Boscov, minha maior referência no que diz respeito a críticos de cinema, aqueles poucos segundos seriam suficientes dar um Oscar pra Wilde.

Talvez seja por isso que a recepção ao filme tenha crescido tanto nas últimas semanas, após ser disponibilizado nas plataformas digitais. O Convite rapidamente virou um hit no X, ou, como gosto de chamar, “Xuiter”, aparecendo entre os assuntos mais comentados da rede e produzindo uma torcida cada vez maior por uma dupla indicação para Olivia Wilde, como atriz e diretora ao Oscar no ano que vem. E, principalmente, uma torcida para que ela seja reconhecida como atriz. Quanto a isso trago ressalvas, pois estou bem animado com o fato de Julianne Moore ser uma das maiores apostas ao prêmio, pelo filme The Debut, sem nem ao menos ter assistido ao filme.

Há ainda um fenômeno curioso: não são poucos os espectadores que passaram a defender que O Convite é melhor do que A Odisseia, tratada por muita gente como a grande estreia do ano. A comparação é quase absurda em termos de escala, mas diz bastante sobre o impacto que o filme está causando. Enquanto um aposta na grandiosidade épica, Wilde encontra sua força em algo muito menor e, talvez por isso mesmo, muito mais próximo de nós: quatro adultos tentando descobrir se ainda existe desejo suficiente para continuar juntos.

O Convite não é realmente um filme sobre troca de casais. É sobre o que acontece quando o desejo desaparece, quando a rotina se instala e quando duas pessoas percebem que passaram anos tentando sobreviver à vida adulta sem perceber que também estavam deixando de viver. O sexo apenas abre a porta. E o que Wilde encontra do outro lado é casamento, frustração, humor, envelhecimento, intimidade e, sobretudo, a possibilidade de voltar a se sentir viva.

Enquanto diretora e atriz, Wilde provou que está vivíssima. E a gente torceu tanto para que sua personagem se sentisse assim durante os 90 minutos de exibição desse filmaço, que não é brincadeira!

Nota: 10.0/10.0

Por: Felipe Tavares

segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Crítica | House of the Dragon – 3X08: The Treasons at Tumbleton (SEASON FINALE)

 * Atenção, essa resenha critica contém spoiler!

Imagem: HBO

Depois de uma segunda temporada frustrante, que deixou a sensação de que a guerra avançava devagar demais, House of the Dragon voltou com excelentes primeiros episódios, batalhas épicas e atuações dignas de Emmy! Derrapou a partir do episódio quatro, mas recuperou a força na season finale com um gancho extremamente potente e deixando claro ao público porque essa história é tão emblemática e fascinante.

Durante boa parte da temporada, a “Dança dos Dragões” funcionou como uma espécie de guerra fria. Os dois lados possuem armas capazes de mudar o curso do conflito em questão de minutos, mas justamente por isso ninguém se atreve a utilizá-las plenamente. Rhaenyra tem vários dragões sob seu controle, enquanto seus inimigos permanecem calculando cada movimento por medo das consequências. O resultado foi uma história em que, durante episódios demais, os personagens pareciam simplesmente esperar que a guerra começasse de verdade. E felizmente esse episódio oito rompe definitivamente com essa dinâmica.

Antes de chegarmos a Tumbleton, a série encerra alguns dos conflitos que vinha construindo. Rhaenyra passa por sua transformação definitiva. A mulher que, durante boa parte da história, tentou se apresentar como uma alternativa legítima, diante da brutalidade de seus inimigos, começa a adotar métodos cada vez mais extremos. Cansada da recusa do Alta Septão em reconhecê-la como rainha, ordena que Alyn de Hull o mate e depois se apresenta diante dos habitantes de Porto Real para reafirmar sua legitimidade e sua convicção de estar ligada à profecia de Aegon.

É um momento importante porque Rhaenyra já não parece simplesmente uma mulher tentando recuperar aquilo que considera seu. Aos poucos, ela está se tornando outro tipo de governante: alguém convencida de que seu destino justifica decisões que, em outras circunstâncias, jamais teria tomado.

A relação com Helaena, uma das personagens mais queridas dessa “season”, representa talvez o ponto mais trágico dessa transformação. Depois de ser afastada do conselho de Rhaenyra, Mysaria tem um último encontro com Helaena e fala pra ela algo que ninguém havia ousado dizer até então: Rhaenyra jamais a deixará partir. A antiga rainha, agora prisioneira, deixa de comer, e Rhaenyra responde ordenando que seja alimentada à força. A crueldade da situação destrói definitivamente qualquer possibilidade de reconciliação entre as duas. Helaena então se joga pela janela.

Mas mesmo em sua morte, a série mantém a dimensão profética que acompanha a personagem. Antes de morrer, Helaena tece uma última tapeçaria inspirada em seus sonhos. Quando Rhaenyra encontra o corpo, descobre nela uma imagem perturbadora: Helaena caindo no vazio e a própria Rhaenyra sentada no Trono de Ferro, cercada pelo fogo dos dragões. É uma das melhores imagens de todo o episódio porque funciona simultaneamente como tragédia e presságio. Rhaenyra pode continuar acreditando que está cumprindo um destino, mas cada passo em direção ao Trono parece também aproximá-la de sua própria destruição. 

E então somos apresentados às sequências de Tumbleton. Depois de vários episódios preparando o confronto, a série finalmente entrega a batalha que vinha prometendo há tanto tempo. O exército de Daemon, reforçado pelas forças dos Riverlands e dos Winter Wolves, avança contra as tropas de Ormund Hightower. A defesa da cidade é brutal: óleo fervente, soldados desesperados e até crianças utilizadas como escudos humanos. Mas a verdadeira ameaça não está apenas no exército inimigo. Está nos próprios dragões.

Um dos exemplos é quando, Ulf, depois de ser humilhado e repreendido por Ormund, decidiu dar um basta na situação e agir tomado pela fúria. Em vez de simplesmente atacar o inimigo, usa seu dragão para incendiar tudo o que encontra pelo caminho, sem distinguir aliados de adversários. A situação rapidamente se transforma em um massacre. Esse plot evidencia uma das ideias mais importantes dessa guerra: controlar um dragão não significa necessariamente controlar aquele que o monta.

A batalha deixa cadáveres, famílias destruídas e um equilíbrio de poder completamente diferente. Hugh, the Hammer encontra sua esposa Kat morta entre os escombros, enquanto Daemon contempla as consequências de uma guerra que, até aquele momento, podia parecer calculada e distante demais. O pesadelo de Rhaenyra sobre os milhares de inocentes que morreriam em Tumbleton acaba se tornando realidade.

E a série não se afasta das consequências humanas da batalha. Daemon observa mães carregando os corpos de seus filhos mortos e fica momentaneamente preso naquela névoa de guerra. É um daqueles momentos em que HOTD se lembra de que, por trás dos dragões, dos exércitos e da disputa pelo Trono de Ferro, existem pessoas que simplesmente estão perdendo tudo.

Enquanto isso, o retorno de Aegon II e Sunfyre acrescenta outra peça fundamental ao tabuleiro. Seu reencontro com Aemond se transforma em um dos momentos mais aguardados da temporada e devolve ao personagem uma energia que havia desaparecido durante boa parte da história. A jornada de Aegon por Westeros foi, aliás, um dos elementos que mais se aproximaram do espírito de Game of Thrones: um personagem derrotado, vulnerável e praticamente transformado em fugitivo que, apesar de tudo, consegue retornar ao centro do conflito.

Com Tumbleton, House of the Dragon abandona definitivamente a sensação de que a Dança dos Dragões é uma guerra fria. A guerra agora não pode mais ser interrompida. Rhaenyra perde parte de sua vantagem, seus inimigos recuperam força e os mortos começam a se acumular em uma velocidade assustadora.

Isso não significa que a terceira temporada seja perfeita, pelo contrário. Seu principal problema continua sendo o ritmo. Depois de vários acontecimentos importantes no início, a história voltou a ficar estagnada durante tempo demais. Em muitas sequências, a impressão que dava é que os personagens pareciam esperar que a trama voltasse a se movimentar, quase sempre sem êxito. Mas o final consegue compensar boa parte disso. A temporada começa e termina com grandes confrontos, e Tumbleton se transforma no verdadeiro ponto de virada. Se a segunda temporada terminou deixando a impressão de que a série havia perdido o rumo, a terceira consegue encerrar com uma promessa muito mais clara: agora, sim, estamos entrando na fase final da Dança dos Dragões.

A última sequência resume perfeitamente essa sensação. Rhaenyra contempla a tapeçaria de Helaena, vê a imagem da antiga rainha caindo para a morte e então fecha a janela. É um gesto simples, mas funciona como uma declaração de intenções. Rhaenyra parece finalmente aceitar que não há mais volta. A quarta temporada também será a última. E essa é, provavelmente, a melhor notícia para uma história que durante tempo demais pareceu andar em círculos. A partir de agora, cada episódio precisa nos aproximar cada vez mais do desfecho. Vamos aguardar e torcer para que seja satisfatório.

Nota: 9.0/10.0

Média da Temporada: 8.6/10.0

Por: Felipe Tavares

Pra encerrar, eu gostaria de dedicar essas oito resenhas a alguém que me encorajou a escrevê-las e que acompanhou uma boa parte dos episódios de House of The Dragon comigo, e que de certa forma, enriqueceu a minha experiência, como espectador, pela ótima companhia. Por questões que fogem do nosso controle, ele não pôde terminar essa temporada (difícil, arrastada, redundante e lenta) do meu lado. Mas o saldo final de tudo isso ainda é positivo. Obrigado Nicholas, por ser a primeira pessoa que se interessou em ler esse blog e por me incentivar a continuar escrevendo! Isso significou muito pra mim.

Crítica | House of the Dragon – 3X07: The Dragon in Winter

 * Atenção, essa resenha critica contém spoiler!

Depois de vários episódios em que House of The Dragon parecia avançar em um ritmo lento demais, quase parando, o penúltimo episódio chega para lembrar que, cedo ou tarde, em Westeros, as intrigas precisam se transformar em acontecimentos. E quando os dragões voltam a ocupar o centro do "palco", a série demonstra mais uma vez porque, visualmente, é imbatível e muito acima da média. Confesso que eu estava desanimado e particularmente frustrados pelos rumos que os roteiristas tomaram nos últimos 4 episódios, o que tornou a série bastante lenta e devagar. Tanto é que essa resenha está uma semana atrasada!

Nos últimos episódios, a HBO apostou fortemente nas conversas políticas, nas tensões familiares e nas intrigas do reino. Esse tipo de construção é necessário em uma história como esta, já que as grandes batalhas geralmente só funcionam quando a narrativa constrói, aos poucos, as condições para que elas aconteçam, por meio de subtramas e diálogos expositivos que evidenciam as alianças, rivalidades e traições da trama. O problema é que a terceira temporada levou essa paciência longe demais. Cenários, conflitos e conversas foram repetidos tantas vezes que muitos personagens não avançaram quase nada na série.

Imagem: HBO

Por isso, o sétimo episódio representa uma pequena mudança de direção. A ação volta a ter um peso considerável e várias histórias que estavam, até então adormecidas, começaram a aparecer. A política não é abandonada, pelo contrário, o episódio demonstra que as decisões tomadas nos bastidores começam a produzir consequências cada vez mais visíveis.

E é aí que surge um dos grandes temas de House of the Dragon, que é retratar a família como um grande e implacável campo de batalha. As lealdades continuam frágeis e os laços de sangue, em vez de garantirem confiança, muitas vezes se transformam em uma ameaça. A guerra não é travada apenas entre exércitos, ela também acontece dentro das próprias famílias.

Se há algo que funciona especialmente bem neste episódio é a presença dos dragões. Ainda bem que eles voltaram com tudo! A série vinha preparando esse momento há algum tempo e, finalmente, o espetáculo visual volta a ter um peso real dentro da narrativa. As interações entre essas criaturas não funcionam apenas como uma demonstração do excelente trabalho de efeitos visuais liderado pelo time de Daði Einarsson, mas também como um excelente recurso narrativo que enriquece a trama. Eles continuam profundamente ligados aos seus “montadores”, evidenciando às relações de poder e à identidade das famílias que os controlam. Por isso, algumas das cenas mais impactantes do episódio extrapola para uma dimensão emocional fantástica.

Imagem: HBO

O principal problema, entretanto, não desaparece. Continua sendo o ritmo! A série insiste em priorizar tramas que parecem existir mais para ganhar tempo do que para realmente fazer a história avançar. Harrenhal é provavelmente o exemplo mais evidente (e cara, como eu odeio esse núcleo). A permanência de Aemond no castelo até tem uns elementos razoavelmente interessantes, mas começa a ser frustrante a lentidão com que essa história se desenvolve. Visões, conversas e situações que lembram demais o que já vimos anteriormente, criam a sensação de que estamos diante de uma trama esperando o momento adequado para se conectar ao restante da história.

Algo parecido acontece também no núcleo de Porto Real. Rhaenyra está em uma posição cada vez mais complicada, mas seu conflito político nem sempre recebe o desenvolvimento que merece.  Além disso, a personagem continua dependendo demais daqueles que estão ao seu redor. Daemon, Mysaria e agora também Helaena, exercem influência considerável sobre suas decisões, enquanto a rainha parece dedicar boa parte de seus esforços a buscar respostas nas visões dos outros. Isso chama ainda mais atenção porque, apesar da legitimidade de sua reivindicação, ainda é difícil enxergá-la como uma governante capaz de impor sua própria vontade.

Imagem: HBO

Em meio a esse cenário, a história de Helaena em Porto Real começa a ganhar força. Desde a cena, do segundo episódio, em que ela fala do seu sonho de criar galinhas, eu adquiri um apreço genuíno por ela e fico satisfeito de ver o destaque e a importância que ela tem ganhado na temporada. O plot da Helaena confere algo diferente do habitual confronto pelo poder. Suas visões, sua maneira particular de perceber os acontecimento e de enxergar o mundo, despertaram em mim uma curiosidade que outras histórias da temporada não conseguiram .O que exatamente são suas visões? Até onde pode chegar sua influência? Ela deixará de ser essa personagem aparentemente inocente? E o que acontecerá com seus filhos? São perguntas que, por enquanto, funcionam justamente porque a série não oferece todas as respostas.

Também é um ponto super positivo perceber que Rhaenyra e Daemon finalmente começam a sair do limbo narrativo em que pareciam estar presos. A relação entre os dois continua sendo uma das mais complexas e interessantes da série, mas durante boa parte da temporada ambos pareciam avançar sem saber exatamente qual era sua posição dentro da guerra e do próprio reinado. O episódio começa a definir melhor suas intenções e, embora ainda exista um longo caminho pela frente, finalmente se percebe uma direção mais clara.

E aqui está a grande contradição deste sétimo episódio: provavelmente é um dos capítulos que melhor conseguem recuperar o dinamismo da temporada, mas também deixa ainda mais evidente o problema dos episódios anteriores. Durante tempo demais, House of The Dragon ficou girando em torno das mesmas localidades e de conflitos que pouco avançavam. Harrenhal se transformou em um pântano narrativo; Porto Real continua sem alcançar todo o seu potencial, e algumas histórias parecem ter sido esticadas além do necessário.

Imagem: HBO

Ainda assim, o episódio recupera algo fundamental: a sensação de que tudo está prestes a explodir. O grande mérito desse sétimo episódio, portanto, não está apenas em suas cenas espetaculares, mas em conseguir fazer com que a expectativa volte a existir. Depois de uma temporada lenta e irregular, HOTD volta a transmitir a sensação de que algo importante está prestes a acontecer.

Nota: 8.4/10.0

Por: Felipe Tavares


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