* Atenção, essa resenha critica contém spoiler!
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| Imagem: HBO |
Depois de uma segunda temporada frustrante, que deixou a sensação de que a guerra avançava devagar demais, House of the Dragon voltou com excelentes primeiros episódios, batalhas épicas e atuações dignas de Emmy! Derrapou a partir do episódio quatro, mas recuperou a força na season finale com um gancho extremamente potente e deixando claro ao público porque essa história é tão emblemática e fascinante.
Durante boa parte da temporada, a
“Dança dos Dragões” funcionou como uma espécie de guerra fria. Os dois lados
possuem armas capazes de mudar o curso do conflito em questão de minutos, mas
justamente por isso ninguém se atreve a utilizá-las plenamente. Rhaenyra tem
vários dragões sob seu controle, enquanto seus inimigos permanecem calculando
cada movimento por medo das consequências. O resultado foi uma história em que,
durante episódios demais, os personagens pareciam simplesmente esperar que a
guerra começasse de verdade. E felizmente esse episódio oito rompe
definitivamente com essa dinâmica.
Antes de chegarmos a Tumbleton, a
série encerra alguns dos conflitos que vinha construindo. Rhaenyra passa por
sua transformação definitiva. A mulher que, durante boa parte da história, tentou
se apresentar como uma alternativa legítima, diante da brutalidade de seus
inimigos, começa a adotar métodos cada vez mais extremos. Cansada da recusa do Alta
Septão em reconhecê-la como rainha, ordena que Alyn de Hull o mate e depois se
apresenta diante dos habitantes de Porto Real para reafirmar sua legitimidade e
sua convicção de estar ligada à profecia de Aegon.
É um momento importante porque
Rhaenyra já não parece simplesmente uma mulher tentando recuperar aquilo que
considera seu. Aos poucos, ela está se tornando outro tipo de governante:
alguém convencida de que seu destino justifica decisões que, em outras
circunstâncias, jamais teria tomado.
A relação com Helaena, uma das
personagens mais queridas dessa “season”, representa talvez o ponto mais
trágico dessa transformação. Depois de ser afastada do conselho de Rhaenyra,
Mysaria tem um último encontro com Helaena e fala pra ela algo que ninguém
havia ousado dizer até então: Rhaenyra jamais a deixará partir. A antiga
rainha, agora prisioneira, deixa de comer, e Rhaenyra responde ordenando que
seja alimentada à força. A crueldade da situação destrói definitivamente
qualquer possibilidade de reconciliação entre as duas. Helaena então se joga
pela janela.
Mas mesmo em sua morte, a série
mantém a dimensão profética que acompanha a personagem. Antes de morrer,
Helaena tece uma última tapeçaria inspirada em seus sonhos. Quando Rhaenyra
encontra o corpo, descobre nela uma imagem perturbadora: Helaena caindo no
vazio e a própria Rhaenyra sentada no Trono de Ferro, cercada pelo fogo dos
dragões. É uma das melhores imagens de todo o episódio porque funciona
simultaneamente como tragédia e presságio. Rhaenyra pode continuar acreditando
que está cumprindo um destino, mas cada passo em direção ao Trono parece também
aproximá-la de sua própria destruição.
E então somos apresentados às sequências de Tumbleton. Depois de vários episódios
preparando o confronto, a série finalmente entrega a batalha que vinha
prometendo há tanto tempo. O exército de Daemon, reforçado pelas forças dos
Riverlands e dos Winter Wolves, avança contra as tropas de Ormund Hightower. A
defesa da cidade é brutal: óleo fervente, soldados desesperados e até crianças
utilizadas como escudos humanos. Mas a verdadeira ameaça não está apenas no
exército inimigo. Está nos próprios dragões.
Um dos exemplos é quando, Ulf, depois de ser humilhado e repreendido por Ormund, decidiu dar um basta na situação e agir tomado pela fúria. Em vez de simplesmente atacar o inimigo, usa seu dragão para incendiar tudo o que encontra pelo caminho, sem distinguir aliados de adversários. A situação rapidamente se transforma em um massacre. Esse plot evidencia uma das ideias mais importantes dessa guerra: controlar um dragão não significa necessariamente controlar aquele que o monta.
A batalha deixa cadáveres,
famílias destruídas e um equilíbrio de poder completamente diferente. Hugh, the Hammer encontra sua esposa Kat morta entre os escombros, enquanto Daemon
contempla as consequências de uma guerra que, até aquele momento, podia parecer
calculada e distante demais. O pesadelo de Rhaenyra sobre os milhares de
inocentes que morreriam em Tumbleton acaba se tornando realidade.
E a série não se afasta das
consequências humanas da batalha. Daemon observa mães carregando os corpos de
seus filhos mortos e fica momentaneamente preso naquela névoa de guerra. É um
daqueles momentos em que HOTD se lembra de que, por trás dos dragões,
dos exércitos e da disputa pelo Trono de Ferro, existem pessoas que
simplesmente estão perdendo tudo.
Enquanto isso, o retorno de Aegon
II e Sunfyre acrescenta outra peça fundamental ao tabuleiro. Seu
reencontro com Aemond se transforma em um dos momentos mais aguardados da
temporada e devolve ao personagem uma energia que havia desaparecido durante
boa parte da história. A jornada de Aegon por Westeros foi, aliás, um dos
elementos que mais se aproximaram do espírito de Game of Thrones: um
personagem derrotado, vulnerável e praticamente transformado em fugitivo que,
apesar de tudo, consegue retornar ao centro do conflito.
Com Tumbleton, House of the
Dragon abandona definitivamente a sensação de que a Dança dos Dragões é uma
guerra fria. A guerra agora não pode mais ser interrompida. Rhaenyra perde
parte de sua vantagem, seus inimigos recuperam força e os mortos começam a se
acumular em uma velocidade assustadora.
Isso não significa que a terceira
temporada seja perfeita, pelo contrário. Seu principal problema continua sendo
o ritmo. Depois de vários acontecimentos importantes no início, a história voltou
a ficar estagnada durante tempo demais. Em muitas sequências, a impressão que dava é que os personagens
pareciam esperar que a trama voltasse a se movimentar, quase sempre sem êxito. Mas o final consegue
compensar boa parte disso. A temporada começa e termina com grandes confrontos,
e Tumbleton se transforma no verdadeiro ponto de virada. Se a segunda temporada
terminou deixando a impressão de que a série havia perdido o rumo, a terceira
consegue encerrar com uma promessa muito mais clara: agora, sim, estamos
entrando na fase final da Dança dos Dragões.
A última sequência resume
perfeitamente essa sensação. Rhaenyra contempla a tapeçaria de Helaena, vê a
imagem da antiga rainha caindo para a morte e então fecha a janela. É um gesto
simples, mas funciona como uma declaração de intenções. Rhaenyra parece
finalmente aceitar que não há mais volta. A quarta temporada também será a
última. E essa é, provavelmente, a melhor notícia para uma história que durante
tempo demais pareceu andar em círculos. A partir de agora, cada episódio precisa
nos aproximar cada vez mais do desfecho. Vamos aguardar e torcer para que seja
satisfatório.
Nota: 9.0/10.0
Média da Temporada: 8.6/10.0
Por: Felipe Tavares
Pra encerrar, eu gostaria de
dedicar essas oito resenhas a alguém que me encorajou a escrevê-las e que
acompanhou uma boa parte dos episódios de House of The Dragon comigo, e que de
certa forma, enriqueceu a minha experiência, como espectador, pela ótima
companhia. Por questões que fogem do nosso controle, ele não pôde terminar essa
temporada (difícil, arrastada, redundante e lenta) do meu lado. Mas o saldo
final de tudo isso ainda é positivo. Obrigado Nicholas, por ser a primeira
pessoa que se interessou em ler esse blog e por me incentivar a continuar
escrevendo! Isso significou muito pra mim.

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