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segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Crítica | House of the Dragon – 3X08: The Treasons at Tumbleton (SEASON FINALE)

 * Atenção, essa resenha critica contém spoiler!

Imagem: HBO

Depois de uma segunda temporada frustrante, que deixou a sensação de que a guerra avançava devagar demais, House of the Dragon voltou com excelentes primeiros episódios, batalhas épicas e atuações dignas de Emmy! Derrapou a partir do episódio quatro, mas recuperou a força na season finale com um gancho extremamente potente e deixando claro ao público porque essa história é tão emblemática e fascinante.

Durante boa parte da temporada, a “Dança dos Dragões” funcionou como uma espécie de guerra fria. Os dois lados possuem armas capazes de mudar o curso do conflito em questão de minutos, mas justamente por isso ninguém se atreve a utilizá-las plenamente. Rhaenyra tem vários dragões sob seu controle, enquanto seus inimigos permanecem calculando cada movimento por medo das consequências. O resultado foi uma história em que, durante episódios demais, os personagens pareciam simplesmente esperar que a guerra começasse de verdade. E felizmente esse episódio oito rompe definitivamente com essa dinâmica.

Antes de chegarmos a Tumbleton, a série encerra alguns dos conflitos que vinha construindo. Rhaenyra passa por sua transformação definitiva. A mulher que, durante boa parte da história, tentou se apresentar como uma alternativa legítima, diante da brutalidade de seus inimigos, começa a adotar métodos cada vez mais extremos. Cansada da recusa do Alta Septão em reconhecê-la como rainha, ordena que Alyn de Hull o mate e depois se apresenta diante dos habitantes de Porto Real para reafirmar sua legitimidade e sua convicção de estar ligada à profecia de Aegon.

É um momento importante porque Rhaenyra já não parece simplesmente uma mulher tentando recuperar aquilo que considera seu. Aos poucos, ela está se tornando outro tipo de governante: alguém convencida de que seu destino justifica decisões que, em outras circunstâncias, jamais teria tomado.

A relação com Helaena, uma das personagens mais queridas dessa “season”, representa talvez o ponto mais trágico dessa transformação. Depois de ser afastada do conselho de Rhaenyra, Mysaria tem um último encontro com Helaena e fala pra ela algo que ninguém havia ousado dizer até então: Rhaenyra jamais a deixará partir. A antiga rainha, agora prisioneira, deixa de comer, e Rhaenyra responde ordenando que seja alimentada à força. A crueldade da situação destrói definitivamente qualquer possibilidade de reconciliação entre as duas. Helaena então se joga pela janela.

Mas mesmo em sua morte, a série mantém a dimensão profética que acompanha a personagem. Antes de morrer, Helaena tece uma última tapeçaria inspirada em seus sonhos. Quando Rhaenyra encontra o corpo, descobre nela uma imagem perturbadora: Helaena caindo no vazio e a própria Rhaenyra sentada no Trono de Ferro, cercada pelo fogo dos dragões. É uma das melhores imagens de todo o episódio porque funciona simultaneamente como tragédia e presságio. Rhaenyra pode continuar acreditando que está cumprindo um destino, mas cada passo em direção ao Trono parece também aproximá-la de sua própria destruição. 

E então somos apresentados às sequências de Tumbleton. Depois de vários episódios preparando o confronto, a série finalmente entrega a batalha que vinha prometendo há tanto tempo. O exército de Daemon, reforçado pelas forças dos Riverlands e dos Winter Wolves, avança contra as tropas de Ormund Hightower. A defesa da cidade é brutal: óleo fervente, soldados desesperados e até crianças utilizadas como escudos humanos. Mas a verdadeira ameaça não está apenas no exército inimigo. Está nos próprios dragões.

Um dos exemplos é quando, Ulf, depois de ser humilhado e repreendido por Ormund, decidiu dar um basta na situação e agir tomado pela fúria. Em vez de simplesmente atacar o inimigo, usa seu dragão para incendiar tudo o que encontra pelo caminho, sem distinguir aliados de adversários. A situação rapidamente se transforma em um massacre. Esse plot evidencia uma das ideias mais importantes dessa guerra: controlar um dragão não significa necessariamente controlar aquele que o monta.

A batalha deixa cadáveres, famílias destruídas e um equilíbrio de poder completamente diferente. Hugh, the Hammer encontra sua esposa Kat morta entre os escombros, enquanto Daemon contempla as consequências de uma guerra que, até aquele momento, podia parecer calculada e distante demais. O pesadelo de Rhaenyra sobre os milhares de inocentes que morreriam em Tumbleton acaba se tornando realidade.

E a série não se afasta das consequências humanas da batalha. Daemon observa mães carregando os corpos de seus filhos mortos e fica momentaneamente preso naquela névoa de guerra. É um daqueles momentos em que HOTD se lembra de que, por trás dos dragões, dos exércitos e da disputa pelo Trono de Ferro, existem pessoas que simplesmente estão perdendo tudo.

Enquanto isso, o retorno de Aegon II e Sunfyre acrescenta outra peça fundamental ao tabuleiro. Seu reencontro com Aemond se transforma em um dos momentos mais aguardados da temporada e devolve ao personagem uma energia que havia desaparecido durante boa parte da história. A jornada de Aegon por Westeros foi, aliás, um dos elementos que mais se aproximaram do espírito de Game of Thrones: um personagem derrotado, vulnerável e praticamente transformado em fugitivo que, apesar de tudo, consegue retornar ao centro do conflito.

Com Tumbleton, House of the Dragon abandona definitivamente a sensação de que a Dança dos Dragões é uma guerra fria. A guerra agora não pode mais ser interrompida. Rhaenyra perde parte de sua vantagem, seus inimigos recuperam força e os mortos começam a se acumular em uma velocidade assustadora.

Isso não significa que a terceira temporada seja perfeita, pelo contrário. Seu principal problema continua sendo o ritmo. Depois de vários acontecimentos importantes no início, a história voltou a ficar estagnada durante tempo demais. Em muitas sequências, a impressão que dava é que os personagens pareciam esperar que a trama voltasse a se movimentar, quase sempre sem êxito. Mas o final consegue compensar boa parte disso. A temporada começa e termina com grandes confrontos, e Tumbleton se transforma no verdadeiro ponto de virada. Se a segunda temporada terminou deixando a impressão de que a série havia perdido o rumo, a terceira consegue encerrar com uma promessa muito mais clara: agora, sim, estamos entrando na fase final da Dança dos Dragões.

A última sequência resume perfeitamente essa sensação. Rhaenyra contempla a tapeçaria de Helaena, vê a imagem da antiga rainha caindo para a morte e então fecha a janela. É um gesto simples, mas funciona como uma declaração de intenções. Rhaenyra parece finalmente aceitar que não há mais volta. A quarta temporada também será a última. E essa é, provavelmente, a melhor notícia para uma história que durante tempo demais pareceu andar em círculos. A partir de agora, cada episódio precisa nos aproximar cada vez mais do desfecho. Vamos aguardar e torcer para que seja satisfatório.

Nota: 9.0/10.0

Média da Temporada: 8.6/10.0

Por: Felipe Tavares

Pra encerrar, eu gostaria de dedicar essas oito resenhas a alguém que me encorajou a escrevê-las e que acompanhou uma boa parte dos episódios de House of The Dragon comigo, e que de certa forma, enriqueceu a minha experiência, como espectador, pela ótima companhia. Por questões que fogem do nosso controle, ele não pôde terminar essa temporada (difícil, arrastada, redundante e lenta) do meu lado. Mas o saldo final de tudo isso ainda é positivo. Obrigado Nicholas, por ser a primeira pessoa que se interessou em ler esse blog e por me incentivar a continuar escrevendo! Isso significou muito pra mim.

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