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terça-feira, 28 de julho de 2026

Crítica | House of the Dragon – 3X06: Faceless Men

  * Atenção, essa resenha critica contém spoiler!

E quando a guerra deixa de pertencer aos homens...?

Existe uma mudança silenciosa acontecendo na terceira temporada de House of the Dragon. Durante boa parte da série, a Dança dos Dragões foi apresentada como um conflito movido pelas escolhas de pessoas poderosas, como reis, rainhas, cavaleiros e lordes, que antes eram capazes de alterar o rumo da história através da própria vontade. O sexto episódio, entretanto, propõe uma leitura diferente. Pela primeira vez, a sensação dominante não é a de que os personagens conduzem a guerra, mas de que a guerra passou a conduzir os personagens.

É uma inversão sutil, mas decisiva. Quase todos os núcleos do capítulo giram em torno de figuras que descobrem, cedo ou tarde, que perderam o controle sobre a própria trajetória. Uns ainda insistem em lutar contra esse destino; outros simplesmente aprendem a sobreviver dentro dele. Esse talvez seja o maior mérito do episódio: encontrar um eixo temático capaz de unir histórias aparentemente desconectadas.

Imagem: HBO

Ao mesmo tempo, porém, o capítulo também escancara um problema que acompanha toda a temporada. A série continua super competente na construção de atmosfera, personagens e tensão política, mas demonstra dificuldade para transformar grandes acontecimentos em experiências emocionalmente devastadoras. E nenhuma cena simboliza melhor essa contradição do que a despedida de Sir Criston Cole.

Desde sua primeira aparição na série, Criston ocupou um lugar curioso dentro da narrativa. Durante muito tempo foi reduzido ao papel de antagonista impulsivo, movido pelo ressentimento e pela devoção cega à trupe da Alicent. Aos poucos, porém, a terceira temporada começou a desmontar essa imagem. Depois das derrotas sucessivas e da escalada da guerra, o personagem finalmente passou a enxergar aquilo que o público já percebia havia algum tempo: sua importância diminuía na mesma proporção em que os dragões assumiam o protagonismo do conflito.

As conversas com Gwayne Hightower nos episódios anteriores revelavam um homem profundamente cansado. Não apenas da guerra, mas do papel que desempenhou durante toda a vida. Criston compreende que sempre foi uma ferramenta utilizada por pessoas muito mais poderosas do que ele. Seus juramentos, sua lealdade e sua reputação serviram aos interesses da nobreza enquanto foram convenientes. Agora, diante de um conflito dominado por monstros capazes de destruir exércitos inteiros em poucos minutos, o maior guerreiro dos Sete Reinos descobre que sua habilidade pouco significa.

A morte de Criston Cole também preserva aquilo que sempre o definiu: sua recusa em aceitar passivamente o próprio destino. Antes de cair sob uma chuva de flechas, ele ainda tenta negociar pela vida de seus soldados. Quando percebe que não há acordo possível, escolhe morrer lutando. O problema começa logo depois...

Em menos de dez minutos, House of the Dragon elimina um personagem presente desde o primeiro episódio da série e simplesmente segue adiante como se nada tivesse acontecido. Alicent não reage. Gwayne não reage. Aegon não reage. Nem mesmo o episódio parece interessado em refletir sobre a ausência daquele que durante anos ocupou posição central dentro do conflito. Essa talvez seja a decisão mais frustrante do capítulo.

Imagem: HBO

Não porque Criston Cole merecesse uma morte heroica, já que sua trajetória jamais nos levou para essa direção, mas porque a série vinha preparando cuidadosamente esse encerramento. Seus diálogos recentes revelavam um homem que finalmente compreendia o vazio produzido por décadas de obediência. Quando afirma desejar morrer "a serviço de si mesmo", Criston encontra uma humanidade que durante muito tempo permaneceu escondida sob sua arrogância. Ao ignorar completamente as consequências emocionais dessa perda, o roteiro enfraquece justamente aquilo que havia construído com tanta eficiência.

A impressão que fica é que House of the Dragon continua tratando alguns acontecimentos como simples pontos de passagem entre uma grande batalha e outra. A morte de Criston representa um marco importante dentro da Dança dos Dragões, mas recebe menos atenção do que diversas conversas políticas espalhadas pelo restante do episódio. É curioso porque, tecnicamente, a sequência funciona muito bem. Dramaticamente, porém, ela termina antes de produzir todas as consequências que poderia gerar.Esse mesmo sentimento acompanha praticamente todo o restante do capítulo.

Imagem: HBO

Após conquistar Porto Real, Rhaenyra imaginava que finalmente teria condições de exercer o poder pelo qual lutou durante tantos anos. Em vez disso, encontra um reino economicamente destruído. A guerra deixa de existir apenas nos campos de batalha e invade a administração cotidiana. Faltam recursos, aumenta a criminalidade, cresce a insatisfação popular e o Trono de Ferro volta a ferir fisicamente a mulher que sempre acreditou ser sua legítima ocupante.

Mais interessante ainda é perceber como essa transformação acontece sem que Rhaenyra praticamente perceba. Ao longo do episódio, suas decisões tornam-se cada vez mais pragmáticas. Assassinatos passam a ser considerados alternativas políticas aceitáveis. Alicent deixa de ser apenas uma antiga amiga para transformar-se em uma possível peça de espionagem. A preocupação com princípios morais cede espaço à necessidade de vencer uma guerra que parece escapar diariamente de seu controle. É nesse momento que o tema central do episódio se fortalece. Rhaenyra conquistou o Trono, mas perdeu o controle do reino. Essa perda de controle não pertence apenas a Rhaenyra. Ela atravessa praticamente todos os personagens centrais do episódio e é justamente essa percepção que dá coesão a uma narrativa “aparentemente” fragmentada.

Alicent talvez seja o exemplo mais evidente dessa transformação. Durante duas temporadas ela foi uma das principais agentes da guerra, movendo peças, tomando decisões e tentando preservar sua família. Agora, confinada em Porto Real, torna-se quase uma espectadora da própria história. Sua importância política diminui drasticamente e, pela primeira vez, ela aceita negociar não para conquistar poder, mas simplesmente para preservar aquilo que ainda lhe resta.

Imagem: HBO

Enquanto isso, Harrenhal continua funcionando como um espaço quase sobrenatural dentro da série, o que na minha opinião é de uma chatice sem tamanho e compromete o ritmo do episódio. Se Porto Real representa o desgaste do poder político, Harrenhal simboliza o poder do destino. Nada ali parece acontecer de maneira completamente racional. A aproximação entre Aemond e Alys Rivers reforça exatamente essa atmosfera. Mais do que um romance, o relacionamento dos dois parece guiado por forças antigas que ultrapassam a própria guerra. E eu não poderia me importar menos...

O episódio também dedica tempo significativo aos Hightower. A relação entre Ormund e Daeron revela duas formas distintas de enxergar o poder. Ormund compreende a guerra como uma disputa de símbolos e percebe que Daeron pode servir como bandeira capaz de mobilizar parte de Westeros. Já Daeron demonstra enorme desconforto diante dessa responsabilidade. Sua confissão de que jamais desejou ser rei funciona como um raro momento de vulnerabilidade em meio a uma temporada dominada por personagens convencidos de que nasceram para governar.

Imagem: HBO

Faltando apenas dois episódios para o encerramento da temporada, House of the Dragon continua abrindo novas linhas narrativas em vez de concentrar seus esforços naquelas que já vinham sendo desenvolvidas. Existe uma sensação permanente de preparação. Quase todas as cenas parecem anunciar acontecimentos futuros em vez de extrair consequências daqueles que acabaram de ocorrer.

Essa característica acompanha boa parte da terceira temporada. Depois do terceiro episódio, a série reduziu significativamente o ritmo dos acontecimentos para privilegiar conversas políticas, reposicionamentos estratégicos e mudanças graduais nas relações entre os personagens. Em teoria, trata-se de uma escolha coerente com a proposta de uma guerra longa e desgastante. Na prática, porém, ela produz um efeito colateral importante: diversos acontecimentos deixam de possuir o impacto emocional que mereciam porque o roteiro parece imediatamente interessado em preparar o próximo movimento do tabuleiro.A morte de Criston Cole permanece como o exemplo mais evidente desse problema.

Tecnicamente, entretanto, é difícil encontrar grandes defeitos na produção do episódio. A direção de Loni Peristere demonstrou um controle e um domínio absurdo da narrativa. A fotografia continua sendo um dos maiores trunfos da série, a trilha sonora abandona temas grandiosos e de forma acertada aposta em temas mais melancólicos, mostrando uma compreensão louvável de que a história já não é mais focado nas conquistas, mas sim nas perdas. A montagem também merece destaque, mesmo com problemas na estrutura narrativa, a costura e a construção permanecem extremamente eficientes.

Acima de tudo, gostaria de destacar as atuações dessa temporada. O elenco entregando um trabalho de altíssimo nível. Emma D'Arcy demonstra com precisão a lenta deterioração moral de Rhaenyra, cuja autoridade cresce enquanto sua humanidade parece diminuir. Olivia Cooke constrói sua Alicent quase sempre através do olhar, transmitindo culpa, impotência e resignação sem necessidade de grandes discursos. Tom Glynn-Carney talvez continue sendo a maior surpresa da temporada ao transformar Aegon II em um personagem muito mais complexo do que parecia nas temporadas anteriores. Já Fabien Frankel encerra sua trajetória oferecendo aquela que provavelmente é sua melhor atuação na série, tornando Criston Cole muito mais trágico do que heroico.

Imagem: HBO

No fim das contas, o sexto episódio resume perfeitamente as qualidades e os defeitos da terceira temporada de House of the Dragon. Poucas séries da televisão contemporânea conseguem combinar direção, fotografia, trilha sonora, direção de arte e atuações com tamanha competência. Ao mesmo tempo, poucas parecem tão relutantes em permitir que seus momentos mais importantes permaneçam tempo suficiente na tela para produzir todo o seu potencial impacto emocional.

Mais do que um episódio sobre batalhas ou conspirações, este é um capítulo sobre personagens que descobrem, cada um à sua maneira, que já não controlam o próprio destino. Criston aceita morrer em uma guerra que deixou de pertencer aos homens. Rhaenyra percebe que conquistar um trono não significa conseguir governá-lo. Alicent compreende que sua influência desapareceu junto com sua liberdade, enquanto Aemond deposita seu futuro nas mãos de forças que sequer consegue compreender.

É justamente essa ideia que transforma o episódio em algo maior do que a soma de seus acontecimentos. Pela primeira vez nesta temporada, a narrativa deixa de parecer apenas uma disputa entre dois lados e passa a assumir a forma de uma engrenagem histórica impossível de deter. Todos ainda acreditam estar fazendo escolhas. O episódio, porém, sugere algo muito mais inquietante: talvez a guerra já tenha escolhido o destino de todos eles há muito tempo!

Nota: 7.9/10.0

Por: Felipe Tavares

segunda-feira, 20 de julho de 2026

Crítica | House of the Dragon – 3X05: Unbowed and Unbent

  * Atenção, essa resenha critica contém spoiler!

Já chegamos em mais da metade da terceira temporada de House of the Dragon e a sensação é inevitável: a série voltou a cometer o mesmo erro que comprometeu parte da temporada anterior. Depois de um início excelente, marcado por episódios intensos, decisões importantes e conflitos que pareciam finalmente impulsionar a Dança dos Dragões, a narrativa perde fôlego justamente no momento em que deveria acelerar.

O quinto episódio reforça a impressão de que a HBO voltou a apostar em uma estratégia de prolongar acontecimentos em vez de desenvolvê-los. Boa parte do tempo é consumida por longas conversas em salas fechadas, deslocamentos lentos e subtramas que parecem girar em círculos, enquanto as grandes batalhas prometidas continuam sendo adiadas.

O maior exemplo disso continua sendo Harrenhal. Depois de dedicar vários episódios à jornada de Daemon naquele cenário, a série repete praticamente a mesma estrutura agora com Aemond. O personagem permanece preso entre visões, pesadelos e os jogos psicológicos de Alys Rivers, afastado da guerra justamente quando deveria exercer papel decisivo no conflito. A sensação é de repetição, não de evolução.

Essa estagnação também afeta outros protagonistas. Aegon II continua vagando por Westeros ao lado de Larys Strong, ainda em busca de um propósito, enquanto Daemon passa boa parte do episódio discutindo problemas administrativos em Porto Real. Em vez de acompanhar personagens tomando decisões capazes de mudar os rumos da guerra, acompanhamos protagonistas reagindo aos acontecimentos quase sempre de forma passiva.

Nem mesmo Rhaenyra escapa desse problema. A série continua explorando as dificuldades enfrentadas por uma mulher no Trono de Ferro, tema coerente com o universo de Westeros, mas que volta a ser tratado de maneira repetitiva. A rainha passa grande parte do episódio tentando administrar crises internas, enfrentando resistência política e percebendo que seu governo desperta cada vez mais desconfiança. O conflito permanece interessante, mas sua evolução me parece insatisfatória.

Outro aspecto que contribui para a sensação de lentidão é a fragmentação da narrativa. Diversas histórias importantes recebem poucos minutos de tela antes de desaparecerem novamente. Personagens relevantes entram e saem do episódio sem que suas trajetórias avancem de forma significativa, enquanto alguns acontecimentos parecem existir apenas para preparar episódios futuros.

Isso não significa que o episódio seja completamente desprovido de qualidades. Algumas conversas funcionam muito bem, especialmente os confrontos verbais envolvendo Larys Strong e Aegon II, além do discurso final de Criston Cole, que praticamente antecipa o destino do personagem. São momentos em que o roteiro recupera a força dramática que marcou o início da temporada.

Ainda assim, falta tensão narrativa. Os dragões, principal símbolo da série, aparecem pouco, os conflitos militares permanecem fora de cena e boa parte da temporada parece ocupada em reposicionar peças no tabuleiro em vez de iniciar a partida.

A frustração aumenta porque os primeiros episódios demonstraram que House of the Dragon era perfeitamente capaz de equilibrar desenvolvimento político, ação e evolução dos personagens. Desde então, porém, a impressão é de que a história anda para trás. Subtramas importantes ficam esquecidas, protagonistas permanecem estagnados e a narrativa parece constantemente adiar os confrontos que o próprio roteiro promete.

Ainda há tempo para recuperar o ritmo. O episódio termina posicionando diferentes forças para os confrontos que se aproximam, e tudo indica que as próximas semanas finalmente entregarão as batalhas aguardadas desde o início da temporada. Mas a margem para novos atrasos ficou pequena. Neste ponto da história, House of the Dragon já não pode depender apenas da promessa de que "o melhor ainda está por vir". O melhor precisa começar a acontecer agora mesmo!

Nota: 7.2/10.0

Por: Felipe Tavares

terça-feira, 14 de julho de 2026

Crítica | House of the Dragon – 3X04: Tumbleton

  * Atenção, essa resenha critica contém spoiler!

O peso da coroa e as contradições da guerra

O quarto episódio da terceira temporada de House of the Dragon marca um ponto de virada na narrativa ao colocar seus personagens diante de escolhas que definirão os rumos da Dança dos Dragões. Mais do que grandes batalhas ou demonstrações de poder, a história concentra suas forças nos conflitos internos de seus protagonistas, mostrando que a guerra pela sucessão é movida tanto por ambição quanto por medo, culpa e ressentimento.

No centro da trama está Rhaenyra Targaryen, que vive o momento mais delicado de seu reinado. Questionada pela origem de seus filhos, pressionada por seus aliados e alvo constante de campanhas para deslegitimar sua autoridade, ela precisa decidir que tipo de rainha pretende ser. O dilema é claro: governar com prudência e responsabilidade ou assumir a imagem de uma soberana implacável, impondo respeito por meio da força. Essa escolha passa a definir não apenas sua liderança, mas também a forma como será lembrada.

Ao mesmo tempo, o relacionamento entre Rhaenyra e Daemon revela uma transformação significativa. A paixão que antes movia os dois parece dar lugar a uma parceria construída pela necessidade política. O casamento deixa de representar um vínculo afetivo e passa a funcionar como uma aliança estratégica entre duas figuras poderosas que compartilham objetivos, mas nem sempre a mesma visão de futuro.

Enquanto isso, o reino sofre as consequências da guerra. A fome, o medo e a instabilidade aumentam, mostrando que o conflito ultrapassou as disputas entre nobres e passou a afetar diretamente a população. Em King's Landing, a campanha para desacreditar Rhaenyra ganha força, enquanto seus aliados enfrentam dificuldades para manter a ordem e administrar um território cada vez mais dividido.

No lado dos Verdes, Alicent Hightower continua marcada pelas consequências das decisões que tomou ao longo da vida. Seu maior foco passa a ser a proteção dos filhos, especialmente Helaena, em um cenário em que a família parece cada vez mais vulnerável. Ao mesmo tempo, novos personagens, como Ormund Hightower e Daeron, ampliam a influência da Casa Hightower e evidenciam que a guerra também é travada por meio da política, da religião e das relações familiares.

Ormund surge como um líder pragmático e severo, disposto a impor disciplina para consolidar seu poder. Sua relação com Daeron evidencia a tentativa de moldar um novo governante, alguém capaz de exercer autoridade sem hesitação. Paralelamente, Daemon continua seguindo seus próprios planos, acumulando recursos e alianças que podem alterar o equilíbrio de forças entre os dois lados do conflito.

Apesar da quantidade de acontecimentos importantes, o episódio também evidencia algumas fragilidades na narrativa e nos dá a sensação de um ritmo menos intenso do que o apresentado nos capítulos anteriores. Depois de uma sequência marcada por fortes emoções e grandes reviravoltas, a narrativa desacelera para reorganizar suas peças, mas nem sempre consegue fazê-lo de forma convincente. Algumas soluções parecem improvisadas, enquanto outras dependem de explicações posteriores que enfraquecem o impacto dramático.

Ainda assim, o episódio reafirma uma das principais qualidades de House of the Dragon: a recusa em apresentar heróis ou vilões absolutos. Alicent carrega parte da responsabilidade pela origem da guerra, seja pelas escolhas que fez, seja pela forma como criou seus filhos. Rhaenyra, por sua vez, também está longe de ser irrepreensível. Seu amadurecimento não elimina traços de orgulho e, muitas vezes, suas decisões são influenciadas pela convicção de que seu direito ao trono está acima de qualquer contestação. Em ambos os lados, o desejo de proteger a própria família acaba alimentando um ciclo contínuo de violência e vingança.

Ao final, o episódio deixa claro que a guerra já ultrapassou o ponto de retorno. As disputas pessoais deram lugar a um conflito que envolve todo o reino, enquanto cada decisão passa a produzir consequências cada vez maiores. Mais do que preparar o terreno para as batalhas futuras, a história reforça que o verdadeiro peso da coroa não está apenas em conquistá-la, mas em decidir até onde alguém está disposto a ir para mantê-la.

Nota: 8.5/10.0

Por: Felipe Tavares

Crítica | House of the Dragon – 3X03: Rhaenyra Triumphant

 * Atenção, essa resenha critica contém spoiler!

O peso da conquista

Depois da conquista do Trono de Ferro por Rhaenyra Targaryen, o terceiro episódio da temporada deixa claro que vencer uma guerra não significa saber governar. Em vez de investir em grandes batalhas, a série desacelera o ritmo para explorar as dificuldades de quem finalmente alcançou o poder e agora precisa lidar com suas consequências.

Recém-estabelecida como rainha, Rhaenyra descobre rapidamente que sua maior inimiga não é apenas a resistência dos antigos aliados dos Verdes, mas também a enorme responsabilidade de reconstruir Porto Real. Com os cofres praticamente vazios, a população enfrentando fome e parte da nobreza desconfiando de sua legitimidade, ela precisa tomar decisões cada vez mais delicadas para consolidar seu reinado.

O episódio acompanha a transformação gradual da personagem. A mulher que durante anos lutou para provar seu direito ao trono agora percebe que governar exige escolhas impopulares e, muitas vezes, moralmente questionáveis. Na tentativa de conquistar o apoio do povo, ela promove ações simbólicas e busca construir uma imagem de soberana justa, mas várias de suas decisões acabam criando novos conflitos políticos e pessoais. Aos poucos, Rhaenyra começa a compreender que a coroa pesa muito mais do que imaginava.

Esse processo também evidencia a diferença entre ela e Daemon. Enquanto ele enxerga a conquista como uma oportunidade para expandir o domínio dos Targaryen por meio da força e dos dragões, Rhaenyra demonstra receio de repetir os erros do passado e prefere estabilizar o reino antes de pensar em novas guerras. Essa divergência revela duas visões completamente distintas sobre o exercício do poder e amplia a tensão entre o casal.

Outro dos grandes acertos do episódio continua sendo a relação entre Rhaenyra e Alicent Hightower. Mesmo ocupando lados opostos da guerra, as duas mantêm uma conexão que foi construída ao longo de toda uma vida. Os encontros entre elas são marcados por respeito, ressentimento e uma intimidade que sobreviveu aos anos de rivalidade. Alicent aceita a nova posição da antiga amiga, mas permanece firme na defesa de sua família, enquanto antigas mágoas e diferenças sociais ajudam a explicar por que essa amizade acabou se transformando em um dos maiores conflitos do universo Game of Thrones.

A série também amplia o cenário político ao mostrar que a guerra está longe de terminar. Novas alianças são formadas, velhos juramentos são colocados à prova e diferentes personagens passam a disputar influência sobre a nova rainha. Ao mesmo tempo, Rhaenyra enfrenta dificuldades para controlar seus próprios aliados, percebe que nem toda promessa será cumprida e começa a entender que a ameaça pode surgir tanto de dentro quanto de fora de sua corte.

O episódio reforça ainda um dos temas centrais de House of the Dragon: a distância entre conquistar o poder e conseguir mantê-lo. A cada tentativa de fortalecer sua posição, Rhaenyra acaba abrindo novas frentes de conflito, seja com membros da nobreza, aliados insatisfeitos ou figuras importantes de seu próprio círculo político. Seu desejo de governar com equilíbrio entra constantemente em choque com a necessidade de demonstrar força em um mundo onde qualquer sinal de fraqueza pode ser fatal.

Embora funcione como um capítulo de transição, a narrativa está longe de parecer irrelevante. Ao priorizar as intrigas políticas, os dilemas morais e o desenvolvimento psicológico de seus personagens, o episódio prepara o terreno para acontecimentos muito maiores. O encerramento introduz uma nova peça no tabuleiro, capaz de alterar os rumos da disputa pelo Trono de Ferro e indicar que a guerra entre The Blacks e The Greens está apenas entrando em uma fase ainda mais complexa.

Mais do que um episódio sobre batalhas, trata-se de uma reflexão sobre liderança, legitimidade e o preço de exercer o poder, talvez por isso seja o episódio que mais me agradou e me causou identificação. A temporada demonstra que conquistar um reino pode ser apenas o primeiro passo; o verdadeiro desafio é conseguir governá-lo sem perder a própria identidade.

Nota: 9.3/10.0

Por: Felipe Tavares

terça-feira, 30 de junho de 2026

Crítica | House of the Dragon – 3X02: Queen’s Landing

* Atenção, essa resenha critica contém spoiler!

Depois de uma estreia explosiva, a terceira temporada de House of the Dragon mostra que não pretende viver apenas de grandes batalhas e dragões. O segundo episódio desacelera o ritmo na medida certa para aprofundar seus personagens, sem renunciar à sensação constante de que a guerra está prestes a consumir Westeros por completo. O resultado é um episódio que confirma a boa fase da série e sugere que a produção finalmente encontrou o equilíbrio que faltou em boa parte da 2ª temporada.

Jacaerys Velaryon e Rhaenyra Targaryen - HBO

A narrativa começa exatamente onde o episódio anterior terminou, explorando as consequências devastadoras da Batalha da Goela. A morte de Jace deixa Rhaenyra completamente devastada e estabelece o tom emocional do episódio. O luto da rainha não é apenas uma tragédia pessoal: ele redefine sua postura diante da guerra. Pela primeira vez, a conquista do Trono de Ferro parece ter um preço alto demais, e essa dor influencia praticamente todas as decisões tomadas ao longo da história.

Enquanto #TeamBlack tenta reorganizar suas forças, diferentes frentes do conflito avançam simultaneamente. Daemon continua assumindo um papel decisivo na campanha militar, reunindo aliados e preparando o terreno para o ataque a Porto Real. Ao mesmo tempo, personagens como Corlys, Alyn, Addam e Rhaena ganham espaço suficiente para que suas trajetórias deixem de existir apenas em função dos protagonistas. A série continua expandindo seu universo sem perder de vista os dramas individuais que sustentam a narrativa.

Daemon Targaryen - HBO

Do outro lado, a situação do #TeamGreen se desmorona rapidamente. Alicent tenta preservar o pouco de estabilidade que ainda resta em Porto Real, enquanto Aegon e Larys buscam sobreviver longe da capital. Vale destacar o diálogo em que a Helaena, rainha consorte, dá ordem para ninguém atacar os dragões da forma mais fofa do mundo. É da personagem também um dos poucos momentos engraçados do episódio, quando ela revela à mãe o desejo de criar galinhas. Apesar do breve alívio cômico, o situação dos “verdes” é de absoluta tensão e o poder construído pelos Hightower começa a enfraquecer diante do avanço de Rhaenyra, mas a série evita transformar esse movimento em uma vitória triunfal. Cada conquista vem acompanhada de grandes perdas.

Alicent Hightower e Helaena Targaryen  - HBO

É justamente nesse ponto que HOTD demonstra uma de suas maiores qualidades. Por trás dos dragões, batalhas e disputas pelo trono existe uma tragédia profundamente humana e isso enriquece a obra de uma forma absurda. A guerra não traz apenas destruição e danos físicos: ela corrói relações, rompe antigos laços de confiança e transforma personagens que antes buscavam evitar o conflito em figuras dispostas a cruzar limites cada vez mais perigosos.

Essa abordagem fica evidente na relação entre Rhaenyra e Alicent, que continua sendo o verdadeiro coração emocional da série, como nós já havíamos falado na resenha do episódio anterior. Desde a primeira temporada, ambas parecem ser vítimas das circunstâncias, pressionadas por deveres políticos, expectativas familiares e pela violência iniciada por outros homens ao seu redor. O pacto estabelecido entre as duas para evitar um banho de sangue em Porto Real parecia representar uma última tentativa de preservar algo da amizade que elas compartilharam no passado. 

No entanto, a execução de Otto Hightower muda completamente esse cenário. Sem encontrar Aegon, Rhaenyra decide fazer justiça pelas próprias mãos e sacrifica qualquer possibilidade de reconciliação. Alicent, ao encontrar o corpo do pai, entende que não existe mais espaço para acordos ou concessões. O conflito deixa definitivamente de ser apenas político e passa a ser também pessoal, tornando ainda mais doloroso o inevitável o confronto entre as duas.

Se o roteiro impressiona pela construção dos personagens, a produção continua entregando um espetáculo visual digno da franquia. A direção alterna cenas intimistas com sequências grandiosas envolvendo dragões, enquanto a fotografia recupera parte do dinamismo e da energia que sentimos falta na temporada anterior. A impressão é de que a série abandonou o ritmo excessivamente contemplativo que marcou vários episódios da segunda temporada para abraçar uma narrativa mais direta, sem perder sua identidade.

Rhaenyra Targaryen - HBO

Ao final do episódio, a chegada de Rhaenyra ao Trono de Ferro representa uma vitória apenas parcial. Ela finalmente ocupa o lugar que considera seu por direito, mas chega até ele marcada pelo sangue, pela perda dos filhos e pela certeza de que a guerra ainda está longe do fim, afinal, conquistar o poder pode ser possível, mas ninguém sai ileso dessa jornada.

Nota: 9.0/10.0

Por: Felipe Tavares

segunda-feira, 22 de junho de 2026

Crítica | House of the Dragon (3x01) recupera sua força em uma estreia grandiosa e emocionante

* Atenção, essa resenha critica contém spoiler!

Imagens da "Batalha da Goela" - HBO

Depois de uma segunda temporada que dividiu opiniões por seu ritmo mais lento e pela constante sensação de que algo grandioso estava prestes a acontecer e que nunca se concretizava, “House of the Dragon” retorna em sua terceira temporada mostrando que a espera finalmente valeu a pena. E como valeu...

O primeiro episódio já começa com os dois pés na porta, ao representar a aguardada “Batalha da Goela”, dito por alguns estudiosos da “nerdolância” como um dos eventos mais importantes e devastadores da Dança dos Dragões, e o maior confronto naval da história de Westeros. A sequência é impressionante não apenas pela escala, mas pela forma como combina espetáculo visual e emoção. A frota de Corlys Velaryon (Steve Toussaint) enfrenta a Triarquia em um confronto marítimo que entrega tudo aquilo que muitos espectadores sentiram falta na temporada anterior: urgência, consequências e sensação real de perigo. É como se showrunner e sua equipe estivessem dizendo ao público que agora não há mais tempo para preparação. A guerra chegou, e chegou com força.

Também destaco o quão satisfatório foi assistir a morte de Sharako Lohar (Abigail Thorn), facilmente uma das personagens mais insuportáveis da série. Em contrapartida, no mesmo episódio, damos adeus a Jace (Harry Collett), o filho mais velho de Rhaenyra. Apesar dele ter um arco em age de forma intempestiva, leviana e até “mimada”, foi trágico acompanhar não só sua partida, como também a do seu dragão Vermax. Essa morte promete afetar profundamente a protagonista da série e os rumos da guerra. 

Outro destaque, esse foi negativo porque quase me fez ter um treco, foi a sucessão de trapalhadas que a Rhaena Targaryen, montada no Roubovelha (Sheepstealer), causou durante a batalha. Se não vai ajudar, também não atrapalha, né?

Jacaerys Velaryon - HBO

Já na questão técnica, HOTD alcança aqui seu ponto mais alto. A direção de fotografia, sob o comando de P.J. Dillon, é um trabalho lindíssimo, os efeitos visuais impressionam na maior parte do tempo e a edição de som também merece um destaque especial. Cada grito, cada explosão de fogo e cada morte carregam um peso que amplia a brutalidade do conflito. Os dragões continuam sendo um espetáculo à parte, mas o que realmente chama atenção é a forma como a direção consegue alternar entre a grandiosidade das batalhas e os momentos mais íntimos dos personagens. E é justamente nesses momentos que a série encontra sua maior força.

Se existe algo que HOTD faz melhor do que qualquer outra produção atual de fantasia, é explorar relações humanas corroídas pelo poder. Além disso, desde a primeira temporada, o verdadeiro coração da história sempre foi a relação entre Rhaenyra Targaryen (Emma D'Arcy) e Alicent Hightower (Olivia Cooke). E já no primeiro episódio, a série dá sinais de que essa relação caminha para ocupar novamente um papel central na narrativa da terceira temporada. Ainda assim, convém manter a cautela, já que a série carrega um histórico frustrante de criar expectativas que acabam não se concretizando.

Alicent Hightower e Rhaenyra Targaryen  - HBO

Por fim, o que fica após o primeiro episódio, é a sensação de que HOTD encontrou um ponto de equilíbrio que até então parecia ter se perdido. A série continua sendo um espetáculo visual gigantesco, mas agora conseguiu combinar em cerca de 60 minutos de exibição, uma batalha épica com personagens mais interessantes, conflitos mais humanos e diálogos carregados de peso dramático.

Talvez eles nunca alcancem o mesmo impacto cultural de “Game of Thrones”, mas, pela primeira vez desde a estreia, “House of the Dragon” parece tão grandiosa quanto sua antecessora. Eu assisti ao episódio com o meu namorado em pleno domingo à noite, e o que vimos em tela foi avassalador, de tirar o fôlego (e o sono!). Quase um gatilho pré-segunda-feira para dois ansiosos como nós! E se a temporada mantiver o nível apresentado nesse 3x01, estaremos diante não apenas da melhor fase da série até agora, mas também de uma das melhores produções televisivas do ano. E o mais interessante? É a sensação de que o melhor ainda está por vir...

Nota: 9,2 / 10,0

Por: Felipe Tavares

quarta-feira, 17 de junho de 2026

Glee: uma série revolucionária que foi marcada por polêmicas e perdas

 Lembro-me até hoje da estreia de Glee, em 2009. A série encheu os olhos da, até então, adolescente “viada”, que vos fala. A produção era um prato cheio para os fãs da comunidade LGBTQIAPN+ e rapidamente se transformou em algo muito maior do que uma simples série musical adolescente. Misturando humor, drama e performances marcantes, a produção conquistou fãs ao redor do mundo, impulsionou carreiras, levou canções de volta às paradas de sucesso e ajudou a ampliar discussões sobre diversidade, inclusão e representatividade na televisão. Durante seis temporadas (as três primeiras excelentes), o programa se consolidou como um dos maiores fenômenos da cultura pop do início da década de 2010.

Mas, enquanto a ficção retratava histórias de superação, amizade e sonhos, os bastidores da série acumulavam episódios muito mais sombrios. Ao longo dos anos, Glee foi marcada por mortes prematuras de integrantes do elenco, acusações graves, prisões e relatos de conflitos entre seus protagonistas.

Neste artigo, vamos relembrar o legado de “Glee” e as principais polêmicas que marcaram sua trajetória dentro e fora dos estúdios.

Lea Michele x Naya Rivera

Essa foi a rivalidade mais famosa da série.

Em seu livro de memórias, Naya Rivera afirmou que ela e Lea Michele tinham uma relação difícil, especialmente quando a personagem Santana ganhou mais destaque na trama. Rivera escreveu que Michele não gostava de dividir os holofotes e que a amizade entre elas se deteriorou ao longo dos anos.

Em 2014, Rivera chegou a ser temporariamente afastada de um episódio após uma discussão nos bastidores, o que impulsionou ainda mais os rumores de conflito.

Anos depois, Ryan Murphy afirmou que a rivalidade existiu, mas que foi exagerada pela imprensa. Ele disse que também houve conflitos entre homens do elenco e que nunca receberam a mesma atenção midiática.

Lea Michele x Samantha Ware

Em 2020, a atriz Samantha Ware acusou Lea Michele de ter tornado sua experiência na série um "inferno". Ware afirmou que Michele chegou a fazer ameaças profissionais e humilhações nos bastidores.

Segundo Samantha, Lea disse a todos que, se tivesse a oportunidade, "faria cocô em sua peruca", além de ameaçar seu emprego e a mandar calar a boca no set. Apesar de não termos a confirmação oficial de que a atriz realmente tenha feito isso, ninguém do elenco, que testemunhou o acontecido, aparecer para negar essa informação. Inclusive muitos deles se manifestaram a favor de Samantha. Heather Morris, que interpretou Brittany, afirmou que Michele era desagradável de trabalhar e o mau comportamento dela era bastante conhecido nos bastidores. Amber Riley e Alex Newell, em seguida, fizeram comentários sugerindo que as acusações não eram nenhuma novidade, apesar de não detalhar nenhuma experiência pessoal de bastidor.

Diante de todo esse caos, Lea Michele postou um pedido público de desculpas e disse que não se lembrava dos episódios relatados, mas reconheceu que poderia ter causado sofrimento. A diva tem memória fraca né?

Ryan Murphy x Naya Rivera

Após a saída conturbada de Naya Rivera de um episódio na quinta temporada, surgiram relatos de tensão entre a atriz e a direção da série. Embora Murphy tenha elogiado Rivera diversas vezes posteriormente, houve um período em que a relação profissional ficou estremecida.

Também houve atritos criativos com alguns integrantes do elenco ao longo dos anos, especialmente relacionados à carga de trabalho extremamente intensa da série, que exigia gravações, dança, canto e divulgação simultaneamente.




Blake Jenner vs Melssia Benoist

A partir da quarta temporada, Glee teve uma grande reformulação no seu casting. Rostos novos entraram e protagonizaram a série ao lado do elenco veterano, que passou a integrar outros núcleos após a formatura do “high school”. E nem por isso os novatos eram menos polêmicos.

Blake Jenner, que interpretou Ryder Lynn, admitiu publicamente comportamentos tóxicos e abusivos durante seu relacionamento com a atriz Melissa Benoist, que interpretou Marley Rose, seu par romântico na mesma série. O caso gerou forte repercussão anos depois, quando Melissa protagonizava a série Supergirl.

O adeus a Cory Monteith

Cory Monteith foi protagonista de Glee em cinco das seis temporadas do seriado, onde viveu Finn Hudson. Na série, o ator fazia par romântica com Lea Michele, que também foi sua namorada na vida real.  Em julho de 2013, enquanto a série ainda era exibida na TV norte-americana, ele foi encontrado sem vida em um quarto de hotel devido a uma overdose de álcool e heroína. Sua morte mudou completamente os rumos da produção e teve uma bela homenagem, que rendeu um dos episódios mais lindos da série, intitulado "The Quarterback". Exibido nos EUA em 10 de outubro de 2013, o terceiro capítulo da quinta temporada  de Glee retratou o luto e o legado do seu personagem.

O episódio foi um enorme evento televisivo, rendendo uma audiência de 7,4 milhões de espectadores, números que o programa não via há anos. E a repercussão também foi extremamente forte entre os fãs e a crítica televisiva. Muitos elogiaram a decisão da série de tratar a perda de uma forma sensível e respeitosa, incorporando o luto real do elenco às emoções dos personagens, que estavam sofrendo de forma genuína pela perda de Monteith nas cenas.

Até hoje, "The Quarterback" é citado como o episódio mais difícil e emocionante da série, além disso foi o mais bem avaliado de todo o programa com uma nota de  9,5/10 no IMDb. As músicas cantadas no episódio também se destacaram e entraram para as paradas de sucesso. Make You Feel My Love (de Bob Dylan, eternizada na voz da Adele), foi lindamente interpretada por Lea Michele, sua namorada dentro e fora das câmeras, e acabou se tornando a música mais vendida do episódio e entrou na Billboard. If I Die Young, dos The Band Perry, interpretada por Naya Rivera, também entrou nas paradas e foi amplamente aclamada pelos fãs.

Prisão e morte de Mark Salling

De certa forma a vida imitou a arte no que diz respeito entre o temperamento de cria e criador. Mark Salling viveu o bad boy problemático Puck na série. Fora das câmeras, o ator e cantor acabou sendo preso após uma investigação por posse de material ligado a abuso sexual de menores.

Em 2017, ele se declarou culpado e um ano depois, antes da sentença definitiva, acabou cometendo suicídio. O caso é considerado um dos episódios mais chocantes ligados ao elenco de Glee.

Prisão e morte de Naya Rivera

Naya Rivera, que viveu Santana, uma das personagens mais queridas e populares da série, foi presa em 2017 sob acusação de violência doméstica contra seu então marido, Ryan Dorsey. Posteriormente, o caso foi arquivado e as acusações foram retiradas.

Três anos depois, ela teve uma das mortes mais tristes e trágicas ligadas ao elenco, vítima de um afogamento. Ela foi encontrada sem vida em um lago da Califórnia, aos 33 anos de idade, após fazer um passeio de barco com seu filho de 4 anos. Na ocasião, eles foram nadar, e por alguma intercorrência, ela precisou salvar o filho, ajudando-o a subir dentro do barco, mas não teve forças para subir ela mesma. Na manhã seguinte, o garoto foi encontrado sozinho, dormindo em um barco à deriva, e até a morte, por afogamento acidental, ser confirmada, Naya foi dada como desaparecida pelas autoridades.

Bittersweet moment! Apesar de tudo, Glee continua inesquecível

Depois de tantas polêmicas, conflitos e tragédias, seria fácil resumir Glee apenas pelos acontecimentos que marcaram seus bastidores. Mas, para quem acompanhou a série durante sua exibição, o legado vai muito além disso.

Glee foi uma produção que marcou uma geração, apresentou personagens que se tornaram referência para muitos jovens e transformou versões musicais em verdadeiros fenômenos. Em alguns casos, as releituras da série acabaram ficando até mais populares e melhores do que as gravações originais.  As minhas favoritas seguem sendo as regravações de "Don't Stop Believin'", "Valerie" e "Smooth Criminal". As duas últimas, são ótimas nas vozes originais de Amy Winehouse e Michael Jackson, respectivamente. Mas não tem jeito, para mim, a versão de Glee de ambas, são ainda melhores.

E o que falar do meme de que a Lea Michele não sabe ler? Isso me arranca boas risadas até hoje e me coloca pau a pau com o Felipe da quinta-série de muitos anos atrás. Eu amo demais essa teoria e como tem vídeos que reforçam ela!

No fim das contas, apesar dos escândalos, das controvérsias e das perdas que marcaram sua trajetória, Glee permanece como um dos fenômenos mais importantes da cultura pop dos anos 2010. Uma série imperfeita, caótica e muitas vezes controversa, mas que deixou uma marca impossível de ignorar.

Por: Felipe Tavares

terça-feira, 16 de junho de 2026

15 atores de Hollywood que falam português fluentemente (e você provavelmente não sabia)

O português não é exatamente um dos idiomas mais comuns em Hollywood — mas surpreendentemente, uma boa lista de atores e atrizes internacionais falam o nosso idioma com fluência. Em muitos casos, isso acontece por raízes brasileiras, infância no Brasil ou até interesse pessoal pelo idioma.

Em clima de Copa do Mundo, reunimos 15 nomes conhecidos do cinema e da TV que falam um português brasileiro crocante e chocam a gente com aquele sotaque gringo super fofo:

15. Tasya Teles

Nascida em Toronto, no Canadá, Tasya tem pais brasileiros, o que fez do português um idioma falado de forma natural e constante na sua criação. Conhecida por séries como “The 100” e “The Good Doctor” ainda não temos muitos registros e entrevistas dela falando português.

14. Maiara Walsh

Filha de mãe brasileira, Walsh cresceu com contato direto com o português em casa. Ela nasceu nos EUA, e ficou famosa no Brasil ao participar do spin-off de “As Visões da Raven” — “Cory na Casa Branca”, além disso, em seguida, ela antagonizou um dos piores filmes que eu já vi na vida, “Meninas Malvadas 2”.

E a lista de más escolhas cinematográficas em produções de qualidade duvidosa não param por aí. Ela também fez o pavoroso “Jogos Famintos”, uma sátira tenebrosa e ultrajante de “Jogos Vorazes”. A atriz também já fez alguns trabalhos no Brasil, como o mediano “Diário de Intercâmbio”, da Netflix ao lado de Larissa Manoela e a novela bíblica “Reis”, da Record. Walsh não é conhecida pelos seus atributos dramáticos (que é quase inexistente), mas ela é bem fofa e tem um sotaque super gostoso de ouvir.

13. Rudy Mancuso

Rudy Mancuso, nasceu em Nova Jersey, EUA e é filho de mãe brasileira. O ator do filme “Música”, da Prime Video — que eu ainda não tive a oportunidade (e nem a vontade) de assistir, deu entrevistas recentes falando um belo de um português ao lado da sua noiva, Camila Mendes (outra atriz de raízes brasileira). Além de tudo, o cara é bonito e merece um lugarzinho aqui na nossa lista!

12. Jordana Brewster

Jordana Brewster nasceu no Panamá, mas passou sua infância no Brasil. A atriz, que vive nos Estados Unidos, tem forte ligação com o Brasil e já chegou a dizer que adorava a Xuxa quando era criança — Ela é minha ídola! —  confessou a atriz aos risos uma entrevista falada em um português quase perfeito para o SBT.

Brewster ficou conhecida por participar da franquia “Velozes e Furiosos”, interpretando Mia, a irmã do personagem de Vin Diesel e interesse amoroso do saudoso Paul Walker.

11. Jaime Camil


O Jaime é uma figura. Nascido na Cidade do México, Camil tem mãe brasileira e um interesse genuíno na cultura brasileira. Fluente em português, Jaime Camil já namorou a apresentadora Adriane Galisteu e ficou nacionalmente conhecido ao protagonizar “A Feia Mais Bela”, remake mexicano do sucesso colombiano “Betty, a Feia”, exibido em 2006 no SBT.

Em Hollywood, Jaime Camil fez um dos personagens mais engraçados e apaixonantes que eu já vi em uma série de TV, o excêntrico Rogelio De La Vega em “Jane, the virgin”, uma série de comédia dramática que eu recomendo vividamente para todos assistirem. Foi, inclusive, por esse papel, que Jaime Camil foi indicado ao Critics' Choice Television Awards em 2015, na categoria “Melhor Ator Coadjuvante em Série de Comédia”.

10. Camilla Belle

Camilla Belle, nasceu em Los Angeles e é filha de mãe brasileira, inclusive seu nome é uma homenagem a uma personagem vivida por Renata Sorrah na novela "Cavalo de Aço" em 1973, na TV Globo

Eu me apaixonei pela Camilla, ainda na pré-adolescência, assim que a vi no suspense “Quando um estranho chama”. A crítica não morreu de amores por esse filme, mas eu guardo ele num lugar especial do meu coração. Camilla Belle sempre foi extremamente fofa e gentil nas entrevistas que deu ao Brasil, fazia questão de falar tudo em português e exaltar o orgulho de suas raízes.

Sem trabalhos notáveis na TV e Cinema desde que que mereçam citação aqui, com exceção de "Jurassic Park", Camilla chegou a fazer um filme brasileiro, “À Deriva” com Vincent Cassel e Deborah Bloch, mas ganhou notoriedade mesmo ao namorar um dos Jonas Brothers na década passada.

9. Barbie Ferreira

Filha de pais brasileiros, Barbie Ferreira nasceu em Nova York e fala português desde criança. Sempre muito animada e simpática nas entrevistas em português, Barbie ganhou destaque mundial ao interpretar Kat no hit da HBO “Euphoria”.

A atriz novaiorquina, que arranha um excelente português, também fez parte do elenco de “Não, não olhe!”, dirigido por Jordan Peele, um dos meus cineastas favoritos de todos os tempos.

8. Vincent Cassel

Talvez Vincent seja o mais brasileiro dessa lista. Nasceu na França, mas morou durante muitos anos no Brasil e tem um forte vínculo com o país. Vincent atua em inglês, francês e português.
Para se ter uma ideia, durante a sua participação na série de “Westworld” da HBO, muitos brasileiros elogiaram o português dele, chegando a comentar que ele falava melhor do que alguns personagens brasileiros da série.

Além disso, Vincent Cassel tem um excelente currículo. Além de “Westworld”, o ator francês já fez parte da franquia “Onze Homens e um Segredo”, fez o excelente “Cisne Negro” com a Natalie Portman, o chocante “Irreversível” ao lado da sua ex-esposa, Monica Bellucci.

No Brasil ele participou de “À Deriva”, que contou com Camilla Belle e Deborah Bloch no elenco, “O Filme da Minha Vida”, dirigido por Selton Mello e “O Grande Circo Místico”, de Cacá Diegues.

7. Daniel Brühl

Poliglota, Daniel Brühl possui nacionalidade espanhola e alemã, e domina diversos idiomas, incluindo o português. Seu pai, Hanno Brühl, nasceu em São Paulo, no Brasil, mas é de origem alemã. Esse ator incrível protagonizou um dos filmes da minha vida, “Adeus Lênin!”. Além disso, ele carrega um currículo invejável que inclui títulos como “Bastardos Inglórios”, “Rush: No Limite da Emoção”, “Capitão América: Guerra Civil”, “Falcão e o Soldado Invernal” e o vencedor do Oscar “Nada de Novo no Front”.

6. Philippine Leroy-Beaulieu

Atriz dona de um nome quase impronunciável, Philippine Leroy-Beaulieu fala português porque passou parte da infância e adolescência no nosso país. Nascida em Roma e filha do ator francês Philippe Leroy, Philippine viveu em diferentes países durante a juventude. Em entrevistas, ela contou (em português) que morou alguns anos no Brasil e aprendeu o idioma nessa época, além do francês, italiano e inglês. Por isso, quando dá entrevistas para veículos brasileiros, frequentemente consegue entender e responder em português. O idioma não é sua língua materna, mas ela o fala em um nível muito bom.

Leroy-Beaulieu ficou mundialmente conhecida mais recentemente por interpretar Sylvie Grateau em “Emily in Paris”, mas já era uma atriz muito respeitada no cinema e na televisão francesa décadas antes da série.

5. Alfie Enoch

Esse gatinho britânico é filho de mãe brasileira e teve uma criação bilíngue. Alfie fala português fluente e tem em sua filmografia nada mais, nada menos do que a saga “Harry Potter” e ganhou relevância internacional ao ser um dos destaques da série “How to Get Away with Murder”, que eu particularmente gosto bastante.

No Brasil, ele protagonizou ao lado de Taís Araújo, o excelente “Medida Provisória”, filme que marcou a estreia de Lázaro Ramos na direção.

Alfie Enoch é bem animado, adora o Brasil e vira e mexe é fotografado curtindo alguma festinha aqui no nosso país!

4. Anna Chlumsky

Anna Chlumsky, que estrelou “Veep” e o filme clássico da Sessão da Tarde, “Meu Primeiro Amor”, surpreendeu os brasileiros quando uma equipe de reportagem brasileira a entrevistou e ela fez questão de falar português durante o red carpet de uma das edições do Emmy Awards, no qual ela concorria como atriz coadjuvante em série de comédia pelo seu desempenho na sátira política, “Veep”.

Em um bom português, Anna contou que aprendeu o idioma por motivos pessoais. Ela já namorou um brasileiro e aprendeu português para falar com a mãe dele. Uma fofa né?

3. Mia Goth

A neta da atriz brasileira Maria Gladys!

Mia Goth é uma atriz britânica, com raízes brasileiras. Passou parte da infância vivendo na cidade do Rio de Janeiro junto com a sua avó materna, a excelente atriz brasileira Maria Gladys.

Com um timbre de voz único, ela tenta muitas vezes dar entrevistas para veículos de imprensa brasileiros em português, certa vez viralizou e se tornou meme com a frase “Tanta saudade da minha avó”. Um ícone!

A atriz britânica, que também passou boa parte da adolescência no Canadá, tem uma longa carreira no cinema, consagrando-se na aclamada trilogia de terror “X”, que contou com as sequências “Pearl” e “Maxxine”, todas excelentes. Goth é conhecida no meio da cultura pop como a rainha do terror, já que a maior parte da sua cinebiografia é em filmes desse gênero.

Ela também fez “Ninfomaníaca: Volume II”, “Suspíria: A Dança do Medo” e o indicado ao Oscar “Frankenstein”, do diretor mexicano Guillermo del Toro.

2. Kaya Scodelario

Talvez seja uma das atrizes mais talentosas dessa lista. E uma das minhas favoritas também! Kaya Scodelario tem mãe brasileira, mas nasceu e cresceu na Inglaterra. Seu primeiro trabalho de destaque foi na aclamada série britânica “Skins” — lançada em 2007, uma espécie de “Euphoria” do Reino Unido.

Ganhou projeção mundial na saga “Maze Runner”, onde viveu Teresa, um dos principais destaques da distopia cinematográfica.

Kaya Scodelario tem um sotaque bastante charmoso e gracioso, recentemente ela viralizou na internet com uma entrevista, em que aparece falando um mineirês delicioso — muito embora sua família brasileira seja paulistana.

No seu currículo temos produções como “Piratas do Caribe: A Vingança de Salazar”, “Resident Evil: Bem-vindo a Raccoon City”, a série brasileira “Senna” e o que é, para mim, o maior trabalho como atriz da sua carreira, a série “The Gentlemen”, dirigida pelo excelente Guy Pearce.

1. Camila Mendes

Em primeiro lugar nessa lista, temos uma atriz que não é o maior talento dos quinze, mas atualmente é a que está em maior destaque em Hollywood e no mundo todo. Nascida em Virgínia nos EUA, Camila é filha de brasileiros e fala português fluentemente. Ganhou notoriedade internacional ao ser uma das protagonistas da série “Riverdale” — nunca assisti, mas não fico indiferente à sua importância para a cultura pop teen.

Além da série que a projetou mundialmente, Camila Mendes também foi destaque em farofas da Netflix como “O Date Perfeito”, “Justiceira” e “Mentiras Perigosas”, fez a excelente comédia romântica “Palm Springs”. E atualmente estrela, aquele que talvez seja seu maior filme, “Mestres do Universo”, live-action do icônico desenho animado “He-Man”.

Camila esteve no Brasil, ao lado do ator Nicholas Galitzine, para a divulgação de estreia do longa-metragem e arrancou risadas dos fãs, ao misturar palavras em inglês e português na mesma frase, durante suas entrevistas. A gata tem a força, né?

Por: Felipe Tavares

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