Em determinado momento, assisti a uma entrevista do escritor
Raphael Montes sobre suas inspirações para a icônica novela que projetou a HBO
Max no cenário da teledramaturgia brasileira: Beleza Fatal (2025). Entre
tantos títulos, ele citou dois que chamaram muito a minha atenção: Vale Tudo
(Gilberto Braga, 1989) e A Próxima Vítima (Silvio de Abreu, 1995).
Esses títulos me despertaram interesse porque, apesar de eu
nunca ter assistido a nenhuma dessas produções até então, é impossível ficar
indiferente à importância que ambas tiveram para a televisão brasileira e para
a cultura pop em geral.
Dito isso, resolvi maratonar alguns clássicos e compartilhar
aqui no blog essa experiência na coluna “Luz, Câmera, Memória!”. E, para
dar início à jornada, vou falar sobre Vale Tudo, aproveitando também a
repercussão do remake da novela exibido pela TV Globo em 2025.
Escrita por Gilberto Braga em parceria com Aguinaldo Silva e
Leonor Bassères, a trama conta a história de Raquel (Regina Duarte), uma mãe
solteira que luta para criar a filha, a ambiciosa Maria de Fátima (Glória
Pires). Determinada a ascender socialmente a qualquer custo, Maria de Fátima
vende a casa da família sem o conhecimento da mãe e foge para o Rio de Janeiro
com o dinheiro.
Sem ter onde morar e acreditando que a filha está sendo
influenciada por terceiros, Raquel também parte para a capital carioca. Ao
chegar na cidade, ela se depara com a verdadeira face de Maria de Fátima e, ao
mesmo tempo, conhece e se apaixona por Ivan (Antônio Fagundes), um executivo
que trabalha na empresa da inescrupulosa Odete Roitman, interpretada de forma
precisa e brilhante pela saudosa Beatriz Segall.
Quando as trajetórias dessas quatro figuras se cruzam, o
telespectador é presenteado com uma das histórias mais marcantes da
teledramaturgia brasileira — quiçá mundial.
Poder, corrupção e a eterna discussão sobre os caminhos
(bons ou ruins) para o sucesso conduzem a narrativa do início ao fim. Em um
país onde, para muitos, vale tudo para ascender socialmente, a novela questiona
se a honestidade ainda compensa.
Todos esses temas se integram de forma orgânica ao folhetim.
Nenhum personagem parece descartável. Nenhum núcleo soa como um mero “filler”.
Até os alívios cômicos têm função dentro da história e dialogam com as
discussões centrais sobre honestidade e corrupção que os autores pretendiam
retratar.
E o que dizer então da icônica morte da vilã da novela, um
assassinato que parou o Brasil e levou o questionamento do “Quem matou Odete
Roitman?” para todas as rodas de conversa na época e eternizou a fórmula narrativa
do assassino misterioso que é revelado no último capítulo? Recurso esse que foi
e ainda é amplamente copiado em outras novelas. Genial!
Maratonei os 204 capítulos em poucas semanas. Quando
terminei, fiquei tomado por uma enorme sensação de orgulho.
PQP, como a gente sabia fazer novela boa, né? 💗
E que elenco maravilhoso! Atores que levavam o trabalho a
sério, despidos de vaidade, defendendo seus personagens como se estivessem no
palco sagrado de uma peça de teatro. Era atuação de verdade, entrega total.
Foi lindo acompanhar uma produção em que tudo parecia
alinhado para dar certo: texto, elenco e direção. Que história magnífica! Que
prazer foi finalmente conhecer esse clássico.
Agora, mal posso esperar para seguir com a próxima obra
desta coluna. Fiquem ligados, porque A Próxima Vítima vem aí.
Por: Felipe Tavares
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PS: Filmes, séries, livros e programas citados nesse post:



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