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quinta-feira, 11 de junho de 2026

Luz, Câmera, Memória! Descobrindo o clássico que eternizou Odete Roitman como uma das maiores vilãs da história

 

Em determinado momento, assisti a uma entrevista do escritor Raphael Montes sobre suas inspirações para a icônica novela que projetou a HBO Max no cenário da teledramaturgia brasileira: Beleza Fatal (2025). Entre tantos títulos, ele citou dois que chamaram muito a minha atenção: Vale Tudo (Gilberto Braga, 1989) e A Próxima Vítima (Silvio de Abreu, 1995).

Esses títulos me despertaram interesse porque, apesar de eu nunca ter assistido a nenhuma dessas produções até então, é impossível ficar indiferente à importância que ambas tiveram para a televisão brasileira e para a cultura pop em geral.

Dito isso, resolvi maratonar alguns clássicos e compartilhar aqui no blog essa experiência na coluna “Luz, Câmera, Memória!”. E, para dar início à jornada, vou falar sobre Vale Tudo, aproveitando também a repercussão do remake da novela exibido pela TV Globo em 2025.

Escrita por Gilberto Braga em parceria com Aguinaldo Silva e Leonor Bassères, a trama conta a história de Raquel (Regina Duarte), uma mãe solteira que luta para criar a filha, a ambiciosa Maria de Fátima (Glória Pires). Determinada a ascender socialmente a qualquer custo, Maria de Fátima vende a casa da família sem o conhecimento da mãe e foge para o Rio de Janeiro com o dinheiro.

Sem ter onde morar e acreditando que a filha está sendo influenciada por terceiros, Raquel também parte para a capital carioca. Ao chegar na cidade, ela se depara com a verdadeira face de Maria de Fátima e, ao mesmo tempo, conhece e se apaixona por Ivan (Antônio Fagundes), um executivo que trabalha na empresa da inescrupulosa Odete Roitman, interpretada de forma precisa e brilhante pela saudosa Beatriz Segall.

Quando as trajetórias dessas quatro figuras se cruzam, o telespectador é presenteado com uma das histórias mais marcantes da teledramaturgia brasileira — quiçá mundial.

Poder, corrupção e a eterna discussão sobre os caminhos (bons ou ruins) para o sucesso conduzem a narrativa do início ao fim. Em um país onde, para muitos, vale tudo para ascender socialmente, a novela questiona se a honestidade ainda compensa.

Todos esses temas se integram de forma orgânica ao folhetim. Nenhum personagem parece descartável. Nenhum núcleo soa como um mero “filler”. Até os alívios cômicos têm função dentro da história e dialogam com as discussões centrais sobre honestidade e corrupção que os autores pretendiam retratar.

E o que dizer então da icônica morte da vilã da novela, um assassinato que parou o Brasil e levou o questionamento do “Quem matou Odete Roitman?” para todas as rodas de conversa na época e eternizou a fórmula narrativa do assassino misterioso que é revelado no último capítulo? Recurso esse que foi e ainda é amplamente copiado em outras novelas. Genial!

Maratonei os 204 capítulos em poucas semanas. Quando terminei, fiquei tomado por uma enorme sensação de orgulho.

PQP, como a gente sabia fazer novela boa, né? 💗

E que elenco maravilhoso! Atores que levavam o trabalho a sério, despidos de vaidade, defendendo seus personagens como se estivessem no palco sagrado de uma peça de teatro. Era atuação de verdade, entrega total.

Foi lindo acompanhar uma produção em que tudo parecia alinhado para dar certo: texto, elenco e direção. Que história magnífica! Que prazer foi finalmente conhecer esse clássico.

Agora, mal posso esperar para seguir com a próxima obra desta coluna. Fiquem ligados, porque A Próxima Vítima vem aí.

Por: Felipe Tavares

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PS: Filmes, séries, livros e programas citados nesse post:

🎬 A Próxima Vítima

🎬 Beleza Fatal

🎬 Vale Tudo (1989)


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